Esse corpo onde habita minha consciência

Abro o olho e percebo que ainda está de manhã. Olho para a parede branca do quarto, minha mesinha rosa. Olho para as minhas mãos, pernas, roupa. Não é um sentimento estranho, porque está tudo no seu devido lugar. Mas preciso confessar que acordo todos os dias pensando como é esquisito estar no controle de um corpo. Que eu posso fazer o que eu quiser com ele, apesar das consequências. É estranho pensar que não consigo me ver de fora. Digo, não sei se me conheço socialmente, porque só consigo me ver com meu ponto de vista, que é de dentro.Tanto que quando me vejo naturalmente em algo vídeo, às vezes não me reconheço. Não consigo me ver com os olhos de outra pessoa. Não consigo controlar o que o outro pensa de mim. Ou melhor, não consigo nem saber o que o outro pensa de mim. Levanto da cama, me olho no espelho e percebo que aquele corpo precisa ser representado por mim. Eu posso comandar ele e eu quero que ele tenha um dia bem sucedido. É uma estranha sensação de ser sempre uma nova pessoa em um mesmo corpo todos os dias. Não que eu mude de personalidade, mas só de pensar que eu poderia agir da forma que eu quisesse e fazer o que eu quisesse, além das consequências, eu poderia ser todos os dias uma pessoa diferente em um mesmo corpo. Mas eu aprendi a ser assim. Aprendi a ser eu e esse eu é uma voz aqui dentro, que eu não tenho a menor ideia da forma que tem. Na verdade eu não tenho a menor ideia do que seja eu. E eu não quero mudar radicalmente de um dia pra noite, porque eu sou completamente responsável por esse corpo onde minha consciência habita. E eu adoro ele, adoro saber que vou me olhar no espelho e vou ver sempre a mesma pessoa, apesar de sempre um pouco mais velha, mais cansada, mais feliz. Mas é sempre um mesmo corpo. Eu acordo todos os dias de manhã pensando que eu tenho a missão de controlar essa minha máquina chamada corpo. Eu tenho que cuidar bem dela, como se fosse minha casa. Me sinto protegida, porque ninguém pode descobrir o que eu penso, se eu não quiser falar. Consigo me olhar de dentro pra fora e enxergo e sinto o mundo de uma forma totalmente peculiar e única. Isso é muito esquisito. Porque eu queria saber quem sou eu. Quem é essa pessoa que conduz meus próprios pensamentos. Sou eu mesma, claro. É minha cabeça dizendo o que é certo e o que é errado no momento. O que eu quero e o que eu não quero. Mas e se eu olhar por uma outra perspectiva, eu fico confusa, porque eu sou assim porque decidi ser assim e obviamente influenciada pela cultura onde eu vivo. Mas e se eu quiser fazer tudo diferente? Eu posso. Eu sou livre porque tenho um corpo totalmente controlável por mim.

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