De papo com as meninas do GWS

Fazer uma entrevista com as meninas do GWS (Girls With Style) foi um tiro certeiro. Eu já era uma grande fã e grande admiradora do trabalho delas, mas nunca tinha batido um papo pessoalmente. Talvez essa entrevista tenha sido só uma desculpa para que eu pudesse conhecê-las pessoalmente e contar pro mundo como elas são fodas e como elas são mesmo tudo isso que eu imaginava.

Nuta, Marie e Carol criaram um blog de moda chamado Girls With Style. Isso tudo começou ainda na época do Orkut, em que elas criaram uma comunidade para trocar ideias sobre moda de um jeito diferente das “it girls” do momento, mas acabou crescendo e virou uma comunidade muito maior do que isso. Várias meninas se reuniam para falar de relacionamento, auto-estima, beleza e, claro, de moda. A comunidade cresceu tanto que elas resolveram passar tudo isso para um blog onde as pessoas pudessem acessar.

Eu nunca fui uma pessoa muito ligada à moda, mas o que achei mais legal no site é que ele não fala desse universo de uma forma boba, como a maioria dos blogs faz. As meninas misturam moda e comportamento de um jeito único e com muito embasamento. A personalidade de qualquer pessoa influencia muito no estilo de se vestir e, por isso, tudo bem ser você e ter o estilo que você escolher. O blog sai daquele bê-á-bá de estar na moda e a obrigação de usar determinadas roupas. Elas explicam como aquele estilo voltou à moda e por quê. Como o comportamento social criou tal estilo e vice-versa. Pra mim, moda só funciona quando mistura comportamento, porque moda é arte, moda é expressão. Se a gente olhar pra trás, as roupas contam a história da humanidade, assim como pinturas, peças de teatro e estilos musicais. E elas percebem a moda assim, como parte do nosso comportamento.

Além disso, o blog fala muito sobre relacionamento, feminismo e auto aceitação, coisa que têm faltando muito hoje em dia. E a moda não serve pra te excluir do padrão “magra, alta, linda e loira”. Moda é pra todo mundo; e elas passam isso através de reflexões, textos, relatos e movimentos como o “Terça Sem Make”. Ou seja, elas são demais e eu precisava ver isso de perto para passar para o mundo.

Assim que cheguei pra entrevistar as meninas, reconheci de longe a Nuta e a Marie. A Carol não tava, porqueela não faz parte mais do GWS. Mas calma, gente. Não foi nenhuma briga ou mal entendimento. A Carol vai morar em Londres!

Elas estavam me esperando na mesa da Comuna com mais duas amigas. Elas riam e falavam sobre assuntos pessoais que eu não consegui identificar. Cheguei pedindo desculpas pelo atraso, por causa do transito infernal de botafogo e elas me receberam da melhor forma possível. As amigas pagaram a conta e falaram que iam nos deixar a sós, para que eu pudesse entrevistá-las. Enquanto isso, elas conversaram um pouco sobre roupa e como ainda existe muito trabalho escravo ligado ao mercado de moda; assunto que eu já tinha lido no blog. Achei sensacional saber que aquilo que elas escrevem são realmente os assuntos que conversam, que se preocupam. A gente vê tanto blog por aparência…

A Nuta e a Marie, pra mim, eram as mulheres que mais chamavam atenção no bar. Talvez por eu saber quem elas são, mas elas tem algo a mais. Sabe aquele tipo de pessoa que nunca passa batida? Então, são elas.

Comecei o papo sem caderninho, gravador ou perguntas prontas. E a Nuta foi a primeira a me perguntar como eu lembraria de tudo que elas falassem. Avisei que era um bate papo pra conhecer quem são as pessoas por trás do GWS e que não seria uma entrevista tradicional.

Nossos hamburguers na Comuna! <3

Nossos hamburguers na Comuna! ❤

Senti que elas ficaram confusas, mas resolveram entrar na onda junto comigo. Todo mundo acha que a Nuta e a Marie são irmãs, mas na verdade elas só têm uma amizade bizarramente fraternal. Se conheceram em 1998, através de correspondências por correio por serem grandes fãs do Oasis. Elas têm até tatuagem em homenagem à banda. A partir daí, não se largaram mais. Aliás, a Marie não gostava muito da Nuta porque ela escrevia muito sobre a vida dela e a Marie respondia só com uma linha. Não preciso nem dizer que quem escreve os textos do blog é a Nuta, hoje em dia.

Foram morar juntas aos 21 anos, sozinhas, em um apê em Ipanema. Mas era aquela loucura: festinha quase todo dia, casa bagunçada e pilhas de louça pra lavar. “A gente não tinha a menor responsabilidade. Ficamos realmente meio acomodadas com a situação, mas foi uma época muito boa”.

Depois a Nuta passou a morar no apartamento com o namorado, que coincidentemente era irmão do namorado da Marie. Mas elas não gostam muito dessa parte da história, então vou parar por aqui. Nuta ficou pouco tempo morando com ele, mas quando se separaram, ela ficou morando sozinha por um bom tempo, o que foi ótimo para o amadurecimento pessoal. A Marie foi morar com a avó, no Leblon, logo depois que saiu do apartamento que morava com a Nuta.

Papo vai, papo vem e proponho que elas respondam as 36 perguntas para fazer qualquer pessoa se apaixonar, mas claro que pulando algumas.  Deixei claro que não queria fazer ninguém se apaixonar, até porque eu já era apaixonada por elas e, no caso, eu não responderia as perguntas. Elas toparam o desafio e entraram na brincadeira, o que foi maravilhoso e nosso papo fluiu mais ainda. Me sentia uma velha amiga ouvindo histórias íntimas, engraçadas, tristes e de superação. Descobri até que eu e a Marie já tivemos uma crush num mesmo cara. Me senti em casa.

Descobri que elas perderam a virgindade no mesmo dia (essas duas realmente têm uma ligação bizarra) e que têm a mesma premonição secreta de como vão morrer. “Tiro na cabeça, ou qualquer coisa na cabeça”, responderam as duas juntas e morrem de rir. “Mentiraaaaa! Não acredito que você também pensa isso”. E foi mágico presenciar a descoberta de mais uma coisa em comum que elas têm e não sabiam. Eu entendo essa relação de amizade porque eu tenho 3 melhores amigas com uma ligação parecida. Eu também as conheci em 1998 (por isso que lembrei da data sem precisar anotar 😉 ) e morri de inveja quando elas me falaram que o maior tempo que ficaram separadas foram 15 dias.

Se elas pudessem ter uma super habilidade que não têm, elas escolheriam tocar vários instrumentos ao mesmo tempo e compor. Sim, as duas teriam o mesmo poder. Perguntei pra Nuta por que ela queria compor, se ela já escreve bem pra caramba. “Por isso que eu escrevo. Pra suprir essa minha vontade de compor”, respondeu.

Quando perguntei qual foi a maior realização pessoal delas, a Nuta me falou que foi sair de casa. A Marie ficou pensando mais tempo do que eu esperava. Eu achava que era o blog, mas as realizações delas são mais parecidas com as de qualquer pessoa. Se elas pudessem escolher entre ver o futuro ou saber todos os segredo do mundo, elas escolheriam ver o futuro. Então, saberiam se aquilo que elas fazem agora vai fazer algum sentido no futuro. Foi engraçado ouvir isso, porque achei que elas eram mulheres super bem resolvidas, que tinham encontrado o caminho. Mas, no final, estamos todos tentando encontrar um sentido pra viver. O que mais motiva elas hoje em dia, com certeza é o blog e o feedback que recebem das fãs “É isso que faz a gente continuar”.

Hoje, a Nuta mora com o namorado que veio do Sul e é o terceiro homem mais bonito que ela já viu, e Marie namora um cara que ela achava incrivelmente lindo e sensacional de uma banda. Me contaram tudo sobre como conheceram seus respectivos e ambas histórias são lindas, mas não se eu fosse contar aqui, ia prender vocês por algumas horas.

Nuta e Marie são mulheres fodas, independentes, inteligentes, firmes e seguras de quem são, mas, como qualquer pessoa talentosa e foda pra caralho, não reconhecem que são tudo isso. Aliás, uma reconhece isso na outra, mas não em si mesmas. O que eu acho uma loucura, porque se eu fosse uma delas, acho que me olharia no espelho todos os dias com orgulho de ser quem sou. Me identifiquei tanto no discurso delas, ao longo da conversa, que saí de lá achando que eu também tinha alguma conexão com elas. Mas acho que aí já foi invenção da minha cabeça de fanzoca. A conclusão é que elas não são as mulheres que eu imaginei que elas eram. Elas são melhores que isso. Minha rasa imaginação nunca conseguiria alcançar.

noo

Texto publicado originalmente na NOO.

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