Por onde você anda

Texto por Natália Beraldi

A verdade é que eu não te conheço ainda. Ainda não sonhei com você, não consigo imaginar como é seu rosto, o seu cheiro, o seu jeito de sorrir. Mas sou capaz de fechar os olhos e imaginar como é o brilho dos seus olhos quando se surpreende, o timbre da sua voz, como vai ser o seu tom da sua pele quando acordar, o seu jeito preguiçoso de domingo de manhã.

Eu ainda não posso planejar nossas viagens, planos futuros e furados, não posso colocar as fotos na parede. Mas já passo pelas casas e imagino qual será o seu muro, o som do portão se abrindo, cachorros latindo, talvez. Eu observo tudo com atenção e ternura, porque depois eu quero lembrar desses detalhes, como guardo a vontade de me esconder quando o amor chegar, de sair correndo pra te procurar nesse mundo de bilhões de almas, de cores, de rostos. E o fato é que estou pronta! É você que coloco em minhas orações, é do seu coração que o meu sente falta; e só peço que não demore, por favor.

Tenho fome, frio, falta essência, falta chão. Eu sei que é de você que o meu mundo precisa, porque houve uma reforma, uma grande reforma interna pra te esperar. Dizem que eu mudei, mas eu estava me preparando, juro. E antes de mais nada preciso te contar algumas coisas. Deixei de ir à academia, confesso. Coloco a culpa em um acidente de carro, calma. Não se preocupa. Você se preocupa? Minha ansiedade aumentou, mas já me controlei. Você só vai lidar com ela nas vésperas das nossas viagens, quando me prometer algo, ou quando demorar mais de 10 minutos para chegar.

Não gosto de ficar sozinha em casa, por medo sim. Mas adoro me ver sozinha em qualquer lugar que eu não conheça, como sei que vou adorar a sensação de te contar algo novo que aprendi. Às vezes dirijo sem rumo, mas saiba que vou aprender o caminho da sua casa facilmente se quiser. Sei que minha família vai te adorar, o meu pai principalmente, mais ainda quando contar que você também gosta de Caetano.

Se vinho seco for o seu preferido, tudo bem, vou aprender a gostar. Se um dia você me encontrar por aí observando algo com lagrimas nos olhos, não precisa se preocupar, eu choro de deslumbre, é normal, se cura com um sorriso largo de gratidão. Não ligue se eu entregar a minha câmera na mão de uma criança desconhecida em um parque num dia comum, é minha vontade de querer descobrir o que elas veem. Eu não sei brigar, e no dia seguinte eu esqueço tudo, só não vou me esquecer de voltar pra você, ok?

É que já aprendi que amor vem sem dor, vem de flor, vem de quem tem que vir, e eu já sei que vai vir junto com você, aos poucos, pode ser. Ou brutalmente, como quando parece que vai explodir. Mas eu estou pronta. A porta da frente está aberta, se eu não perceber pode abrir a janela. Não avisa não, só vem! No verão ou no inverno intenso pra curar a falta que você anda fazendo. Eu sei que pode ser… Porque eu sei que já trocamos as nossas cascas, que as tempestades já passaram, o sol já veio, e deixou o cheiro de chuva que avisa algo, avisa que eu sei que você está chegando, e eu estou pronta. Me cutuca se for preciso.

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