As marcas do estresse

Texto por Bruna Smith, nova colunista do De Repente dá Certo

Um desabafo de quem está sentindo o peso deste sintoma no corpo e na mente

Não é novidade que o estresse é o grande mal do século XXI e os efeitos que esse sintoma traz para a minha, a sua, a nossa vida, me fizeram refletir sobre o assunto. Sempre fui uma pessoa pilhada. Minha cabeça não para nem quando deito para dormir. Aliás, quando eu deito para dormir é quando ela mais funciona. Além disso, tenho uma tendência absurda a somatizar não só os meus, como os problemas de todo mundo ao meu redor. Ou seja, muitas vezes me preocupo com coisas sobre as quais não tenho o menor domínio ou responsabilidade.

Outro dia, descobri que estava com a pressão alta: 14/9, quando o meu normal é 12/08. Comecei a acompanhar e descobri que ela estava dando alta com frequência. Sinal vermelho. Além disso, sentia palpitações e uma angústia que surgia de repente. Fiz uma bateria de exames que a maioria de vocês nunca deve ter ouvido falar: mapa, holter, ecocardiograma com doppler colorido e ainda tive que coletar mais de 10 tubinhos de sangue. Quando os resultados saíram ficou comprovado que os sintomas eram mesmo emocionais.

Mas Bruna, você é muito nova para estar tendo esses “piripaques”! “Isso é piti”, diriam alguns, “frescura”, diriam outros. A verdade é que estamos sentindo no corpo e na mente os efeitos da vida caótica urbana. E não sou só eu não. Numa sexta-feira pós-trabalho eu estava bebendo vinho com as amigas na casa de uma delas e um dos papos que surgiram foi justamente este. Relatos de palpitações, taquicardia, tontura, dores fortíssimas de cabeça e afins eram comuns ao grupo de vinte e poucos anos.

As pessoas estão cada vez mais ansiosas, mais estressadas e, consequentemente, esgotadas. A explicação para isso? Podem ser várias (se bobear, todas juntas e ao mesmo tempo): o caos no trânsito, o trabalho que não tem hora pra acabar, a falta de noites bem dormidas, a falta de grana, o bombardeio de informações 24 horas por dia, enfim.

Eu tenho a teoria de que os jovens de hoje estarão bem mais ferrados (pra não usar outra palavra) no futuro do que os nossos pais, nossos avós. É claro que na época deles o estresse já existia, os problemas cotidianos eram comuns, mas numa outra proporção. Atualmente é tudo muito intenso. As redes sociais e a mídia vendem estilos de vida totalmente inatingíveis para um ser humano “comum”. Todo mundo viaja 10 vezes ao ano para os lugares mais fodas, têm os melhores empregos do mundo, fazem o que gostam 100% do tempo, são totalmente saudáveis, malham todos os dias e ainda por cima só comem comidas orgânicas e fit. O “sambar na cara do outro” e o maior trufo dos internautas e as consequências disso no futuro serão desastrosas. Aliás, já são. E a quantidade de pessoas tomando antidepressivos e ansiolíticos comprovam isso.

Quero deixar claro que não sou contra remédios, desde que usados com parcimônia e por realmente quem precisa. Tomar Rivotril só para ter uma noite de sono melhor não resolve. A questão é atingir a raiz do problema. Olhar pra dentro e refletir: o que tem feito eu me sentir assim? O que eu preciso mudar na minha rotina? O que me acalma? O que me faz feliz?

Muitos têm aquilo que chamam de “válvula de escape”. Para alguns é o futebol, para outros o surf, a leitura, a dança, o skate, a meditação, o desenho, a Yoga. Confesso que ainda estou em busca da minha, mas uma coisa é certa: já comecei o meu processo rumo à saúde mental e corporal só de escrever esse texto aqui.

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