Se o mundo fosse o filme “Inception”

Texto por Sophia Alziri 

Dia de tédio no Instagram, sabe como é, né? O dedo só vai… a cabeça tá sei lá onde, você nem sabe por que tá ali naquela situação. De repente, o dedo pára. Você volta pra realidade. Pera aí, isso aqui é bom pra caralho. Foi assim que achei o perfil do Décio Araújo (@dearaujo).

As fotos dele são dessas que faz você prestar atenção, olhar de novo. Arquiteto, ele brinca com a relação entre pessoas, cidades e natureza. E assim tenta provocar a gente a olhar de forma mais crítica pras cidades. Nos estimula a achar beleza no dia-a-dia de concreto. São Paulo, obviamente, é o lugar perfeito pra isso.

Usando os diferentes tons de cinza típicos de São Paulo, aquele cinza bem claro quase sempre presente no céu, o cinza médio do concreto, o cinza escuro das pistas e as cores desbotadas de uma cidade usada e reusada a exaustão. Podia ser feio, se não fosse lindo.

As cores desbotadas viram poesia, as formas, quando repetidas e desapropriadas do seu contexto real, dão vida a outras viagens visuais.

A densidade urbana vira uma textura. E vendo ela pelo olhar dele, nos esquecemos da maçante e caótica realidade que é viver numa megametrópole.

As imagens que ele cria lembram aqueles bloquinhos de madeira que a gente brincava de construir prédios e castelos quando éramos crianças, lembra disso?

Só que em vez de bloquinhos ele usa apps ( UnionAppFragmentApp, e Filterstorm) e um celular. Piramos? Claro que sim.

Além de questionar o próprio espaço urbano, ele também vem pra questionar o espaço da arte. Um artista que produz imagens tão incríveis pode ser menos artista que alguém que expõem em um espaço físico? Ou que produz imagens com cola e papel? Parece que não, já que esse ano ele foi convidado pelo Instituto Inhotim, junto com outros artistas, para um visita privada que você pode conferir na #emptyinhotim.

Ele conta que a primeira vez que expôs suas fotos foi por meio da rede social.  E só através dela sua mensagem pôde chegar ao mundo todo.

O arquiteto, que cansou de construir e achou na fotografia uma forma de desconstruir e construir outras realidades, nos faz olhar de um jeito diferente pra esses espaços e isso, provavelmente, mude um pouquinho como a gente trata esse lugares.

A verdade é que desde que o homem se tornou seu próprio deus ao devastar o natural e reconstruir todo um relevo novo baseado nas suas (des)necessidades modernas, o homem materializou sua mente em uma nova paisagem, a selva de pedra, terra de arranha-céus e tudo aquilo. É claro que hoje temos consciência de que erramos feio em destruir a natureza, mas quem pode negar a beleza do que o homem construiu depois de ver essas imagens do Décio? Vamos olhar com mais paixão pras cidades e achar, em meio ao caos da falta de planejamento urbano, a poesia e beleza desses lugares que querendo ou não, são a nossa casa.

Vamos.

Gaiola de Concreto

Gaiola de Concreto

Claustrofobia urbana

Claustrofobia urbana

Mutação Urbana II

Mutação Urbana II

Superpopulação XII

Superpopulação XII

Barreiras Urbanas

Barreiras Urbanas

Percursos Caóticos

Percursos Caóticos

Claustrofobia urbana XVIII

Claustrofobia urbana XVIII

Oscilação urbana XXIV

Oscilação urbana XXIV

Gaiola de Concreto XX

Gaiola de Concreto XX

Claustrofobia urbana
Claustrofobia urbana

Claustrofobia urbana

Gaiola de Concreto

Gaiola de Concreto

Superpopulação XVI

Superpopulação XVI

Oscilação urbana XVI

Oscilação urbana XVI

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