Mundão doido

Sobre aquele mundo ao meu lado

Texto por Natália Beraldi

Mais uma vez atrasada, corri pelo saguão do aeroporto buscando a porta 36 de embarque, cruzando 2 minutos antes de fechar. No corredor, a caminho da aeronave, avisto uma mulher que me tranquiliza pela calma e serenidade em que caminha, mostrando que não sou a única. Por coincidência a poltrona dela era ao lado da minha, na janela. Não trocamos nenhuma palavra, sentamos e logo ela virou o olhar fixamente para a janela, e dali não saiu mais. O voo durou um pouco mais de 5 horas, e foi a única coisa que ela fez. Passaram-se por nos pessoas de todos os cantos, falando diversos idiomas, e enquanto eu observava buscando entender o que se passava com cada um deles, ela continuava lá, intacta. Pensei em cutucá-la e dizer que foi sem querer, tentar puxar uma conversa, mas algo me dizia que aquele momento, apesar de parecer agoniante, era o tempo que ela precisava ter, era algo que ela precisava passar, um turbilhão de vida se passava ali, naquela reflexão, de dores, amores, desilusões talvez. Pensei se ela podia ter deixado seu coração para trás no momento em que embarcou, ou se ela estava indo de encontro a ele.

Pensei em dizer que o amor vai pra onde tem que ir, pra onde tiver vida e um ombro, que ele pode superar essas milhas que já passamos, e muitas mais. Pensei em perguntar se ela estava deslumbrada com a vista e contar que eu fico assim também, choro facilmente, sinto a garganta fechar, o coração transbordar de deslumbre.

Eu quis chama-la quando o sol nasceu, quis comentar o quanto estava bonito, quis questioná-la se não ia fotografar aquele momento e quis pedir licença para encaixar meus olhos naquela vista também. Quis apertar a sua mão quando avistados a Cordilheira dos Andes de cima, em algumas partes coberta de gelo, em outras partes confundindo com nuvens de algodão.

Queria acreditar que ela estava feliz, que era um momento de liberdade e não de solidão. Queria lembra-la que não estava sozinha, e que o mundo estava esperando para curar qualquer coisa que algo ou alguém já houvesse causado. Queria enfatizar que ela seria capaz e que não precisava ter medo. Queria dizer que ela iria achar novos motivos e que ela podia chorar, de felicidade ou tristeza, seja o que for, menos de solidão. Não, ela não estava só. Ela estava pronta para descobrir qualquer coisa, e o mundo jamais a deixaria sozinha. Sua liberdade já tinha virado asas, bem maiores que as daquele avião.

Mas eu tinha certeza que o motivo daquele olhar perdido não estava naquela janela, e sim dentro do coração. Talvez o que ela sentisse fosse culpa, e eu jamais vou saber o tamanho do peso que ela carregava calada. Talvez ela só tenha resolvido ir embora e estava refletindo se havia sido uma das melhores ou piores decisões de sua vida. Talvez ela esteja procurando respostas e as suplicando em cima das nuvens. Talvez ela só esteja tentando aceitar. Talvez ela estivesse indo encontrar amigos, queridos apoios, ombros, alguns abraços ou cervejas. Talvez ela só precisasse se sentir mais segura. Talvez ela só estivesse buscando por si mesma.

Enquanto isso, eu só queria fazê-la enxergar o quão grande é o mundo, e o quão pequenos somos. Eu queria dizer que ela pode ser a comandante dessa história e desse destino. Que é possível começar e recomeçar, sempre que for preciso e de um jeito muito melhor.

Eu espero que ela se dê conta que, lá fora, lá em baixo, encontrará amor em cada canto, se esse for o seu desejo, e descobrirá que errar nem sempre significa um fim, e sim uma descoberta para um novo começo.

Havia três lugares, de um lado um homem dormiu o tempo inteiro, que sorte. E do outro, um mundo rodou. Talvez ela tenha sonhado acordada tudo o que o homem não conseguiu dormindo.

O que ela havia deixado pra trás?

Que história incrível aquela janela de avião descobriu aquele dia. Que desabafo feliz ela despejou por entre as nuvens.

E quando o avião pousou e as portas se abriram, eu quis olha-la pela última vez. Quando me virei com a intenção de despedida, ela ainda continuava lá. Parti desejando que aquela mulher, que passará horas ao meu lado sem desviar o olhar da janela daquele avião estivesse apenas feliz, apenas livre ou apenas indo em direção de um sonho, ou um amor, ou os dois. Que bonito seria…

As marcas do estresse

Texto por Bruna Smith, nova colunista do De Repente dá Certo

Um desabafo de quem está sentindo o peso deste sintoma no corpo e na mente

Não é novidade que o estresse é o grande mal do século XXI e os efeitos que esse sintoma traz para a minha, a sua, a nossa vida, me fizeram refletir sobre o assunto. Sempre fui uma pessoa pilhada. Minha cabeça não para nem quando deito para dormir. Aliás, quando eu deito para dormir é quando ela mais funciona. Além disso, tenho uma tendência absurda a somatizar não só os meus, como os problemas de todo mundo ao meu redor. Ou seja, muitas vezes me preocupo com coisas sobre as quais não tenho o menor domínio ou responsabilidade.

Outro dia, descobri que estava com a pressão alta: 14/9, quando o meu normal é 12/08. Comecei a acompanhar e descobri que ela estava dando alta com frequência. Sinal vermelho. Além disso, sentia palpitações e uma angústia que surgia de repente. Fiz uma bateria de exames que a maioria de vocês nunca deve ter ouvido falar: mapa, holter, ecocardiograma com doppler colorido e ainda tive que coletar mais de 10 tubinhos de sangue. Quando os resultados saíram ficou comprovado que os sintomas eram mesmo emocionais.

Mas Bruna, você é muito nova para estar tendo esses “piripaques”! “Isso é piti”, diriam alguns, “frescura”, diriam outros. A verdade é que estamos sentindo no corpo e na mente os efeitos da vida caótica urbana. E não sou só eu não. Numa sexta-feira pós-trabalho eu estava bebendo vinho com as amigas na casa de uma delas e um dos papos que surgiram foi justamente este. Relatos de palpitações, taquicardia, tontura, dores fortíssimas de cabeça e afins eram comuns ao grupo de vinte e poucos anos.

As pessoas estão cada vez mais ansiosas, mais estressadas e, consequentemente, esgotadas. A explicação para isso? Podem ser várias (se bobear, todas juntas e ao mesmo tempo): o caos no trânsito, o trabalho que não tem hora pra acabar, a falta de noites bem dormidas, a falta de grana, o bombardeio de informações 24 horas por dia, enfim.

Eu tenho a teoria de que os jovens de hoje estarão bem mais ferrados (pra não usar outra palavra) no futuro do que os nossos pais, nossos avós. É claro que na época deles o estresse já existia, os problemas cotidianos eram comuns, mas numa outra proporção. Atualmente é tudo muito intenso. As redes sociais e a mídia vendem estilos de vida totalmente inatingíveis para um ser humano “comum”. Todo mundo viaja 10 vezes ao ano para os lugares mais fodas, têm os melhores empregos do mundo, fazem o que gostam 100% do tempo, são totalmente saudáveis, malham todos os dias e ainda por cima só comem comidas orgânicas e fit. O “sambar na cara do outro” e o maior trufo dos internautas e as consequências disso no futuro serão desastrosas. Aliás, já são. E a quantidade de pessoas tomando antidepressivos e ansiolíticos comprovam isso.

Quero deixar claro que não sou contra remédios, desde que usados com parcimônia e por realmente quem precisa. Tomar Rivotril só para ter uma noite de sono melhor não resolve. A questão é atingir a raiz do problema. Olhar pra dentro e refletir: o que tem feito eu me sentir assim? O que eu preciso mudar na minha rotina? O que me acalma? O que me faz feliz?

Muitos têm aquilo que chamam de “válvula de escape”. Para alguns é o futebol, para outros o surf, a leitura, a dança, o skate, a meditação, o desenho, a Yoga. Confesso que ainda estou em busca da minha, mas uma coisa é certa: já comecei o meu processo rumo à saúde mental e corporal só de escrever esse texto aqui.

Como sobreviver a um incêndio

Texto por Natália Moreira, nova colunista do De Repente dá Certo. 

LAURENT CHEHERE PHOTOGRAPHY

LAURENT CHEHERE PHOTOGRAPHY

Há algum tempo atrás meu quarto pegou fogo. No meio da noite, no meio do nada. Acordei assustada coberta por fumaça e fuligem. Meus olhos ardiam tanto que só pensei em sair correndo dali o mais rápido possível.

Não aconteceu nada de inédito depois desse fato, as mangueiras chegaram e pouco a pouco apagaram tudo. Eu respirei fundo e agradeci por não ter sido incinerada. Três minutos depois comecei a xingar sem parar. Quando entrei de novo em casa ela já não era a mesma. Andando devagarzinho até meu quarto via as cinzas do que sobrou voando à altura dos meus olhos, pousando na minha camiseta e em meus cabelos. Parecia um filme de ficção científica do apocalipse.

Destruição quase total.

Destruição quase total. Tudo passou a ter cheiro de fogo, as paredes brancas, os lençóis sobre a cama, a cortina, que passou a viver sempre aberta com os ventos da janela tentando expulsar o odor. Até hoje não sei o número de coisas que perdi naquele dia. Vestidos que gostava, livros que lia… Parecia ter perdido parte de mim, algo irrecuperável.

Hoje, anos depois que o cheiro do fogo se foi, lembrei sem querer desse episódio. Não li nenhuma notícia relacionada a incêndios ou vi na TV algo que pudesse me remeter a isso, mas acordei queimando, por dentro dessa vez.

Durante a passagem da minha vida descobri que só duas coisas podem nos queimar internamente: azia e amor. Azia, considerando os outros concorrentes, é o incêndio mais benéfico que podemos passar. O estômago ardeu, você corre na farmácia e, depois de tomar um pó efervescente com gosto de limão misturado à agua, a dor passa. Simples, eficaz e rápido.

Já com um incêndio externo, é compreensível um pânico maior. Pô, imagina ver todas as suas coisas resumidas a pó, complicado. Só que depois que a água apaga tudo e o tempo passa, você percebe que só perdeu coisas, objetos que não significam nada, dá pra comprar tudo de volta. Alívio.

Agora, de todos os incêndios pelos quais passei, nenhum nunca me destruiu tanto quanto o amor. Todo mundo diz por aí que o amor é lindo, mas que se não estiver fazendo bem, não é amor e você deve seguir em frente sem olhar para trás. Um discurso perfeito e inquestionável teoricamente, mas falho, pois amar dificilmente é uma escolha e amar errado, mesmo fazendo mal, nem sempre é opção.

Eu já sobrevivi a dois incêndios, um externo, apagado à água, e, um interno, apagado com remédio. Mas acho que nunca sobrevivi às queimaduras dos meus amores. Não por não querer ou não tentar. Pelo contrário, desde a primeira vez que amei, quando a euforia se transformou em dor, investiguei várias soluções para ver como fugir das chamas.

várias soluções para ver como fugir das chamas. Tentei mudar meu estilo de vida e os lugares que eu ia, procurava desesperadamente alguém que pudesse apagar o fogo e soprar qualquer sentimento que se encontrasse ali. Saía mais com os amigos, cortava o cabelo, caminhava na praia, fazia yoga… As tentativas foram muitas, até um dia em que percebi que nada estava funcionando e parei. E me pergunto, mas como? Me esforço tanto para apagar as chamas, o amor, as memórias… Onde estou errando?

Nessa manhã acordei mais uma vez sentindo esse amor que atualmente só queima, bota fogo e não incrementa nada. Aí lembrei das paredes… Pensei no tempo que demorou para que cheiro de queimado saísse delas, mesmo depois de lavar, jogar Bom Ar e abrir as janelas. Me acalmei depois disso.

disso. Agora, mesmo sabendo que não sou (ainda) uma sobrevivente do amor, que de vez em quando vejo pequenas manchas do fogo nas minhas paredes brancas, sei que aos poucos, abrindo minhas janelas e bebendo água pra esfriar as ardências, só restarão marcas das queimaduras que o fogo que passou deixou ali.

Quando esse dia chegar, abrirei um curso gratuito de sobrevivência para todos que estiverem em chamas a ponto de explodir. Eu, que estou a um passo de me tornar bombeira reconstruir do fogo, tudo outra vez.

Como ser um explorador do mundo

Texto por Marcela Picanço

Leia o texto com essa música criada por Henrique Caixeiro e Daniel Perlin, da Gazebo 304.

Há um tempo eu tenho ouvido falar sobre a profissão de coolhunter. Esses profissionais passam a vida procurando referências para juntar tudo e descobrir qual vai ser a nova tendência que vai encher os olhos de todo mundo. É uma mistura de marketing, comportamento do consumidor, arte e MUITA pesquisa. Talvez essa seja a profissão mais legal do mundo. Imagina, ficar o dia inteiro descobrindo coisas! Mas não é tão simples assim, né? Claro que nem sempre ele vai criar alguma coisa, mas vai dar o caminho pra que as empresas lancem seu novo produto ou façam uma nova campanha. A questão é que dá pra ter o espírito coolhunter de várias formas; até mesmo para os seus projetos pessoais. O importante é ter um olhar crítico e perceber que tudo tem um potencial. O Coolhunter foi só uma especificação pra uma profissão que PRECISA estar ligada o tempo inteiro, mas pra olhar o mundo como um artista, para criar algo novo e relevante, é preciso ser assim também.

As coisas podem parecer inanimadas, mas tudo é vivo. Tudo tem um sentido que pode ser criado por você, e é por isso que tudo tem uma magia por trás. Uma folha caída no chão pode servir de inspiração, talvez seja a peça chave da sua ideia. Anote tudo e preste atenção em tudo. Prestar atenção não significa apenas saber tudo que está acontecendo ao redor, mas olhar fixo pra cada coisa. O degradê da natureza é uma das coisas mais incríveis que existe. Já parou pra observar? O céu é uma pintura que muda a todo instante e nunca fica igual. Uma maçã é amarela e vermelha e essa combinação de cores parece completamente perfeita ali. A areia tem milhões de tons, as pessoas têm milhões de tons. Esse tal de Deus, se existir, deve ser um artista plástico bem indeciso. Sorte a nossa que ele tem essa indecisão toda e não deixa nada monótono.

Pra ser original, é preciso repetir padrões até chegar na sua ideia brilhante ou até conseguir criar algo que realmente faça a diferença; como uma tendência por exemplo, que influencia uma sociedade inteira. O legal é criar algo que realmente faça diferença na vida das pessoas, pra que elas se questionem, se instiguem ou puxem as pessoas pra cima.

Nenhuma ideia surge do nada, então tenha referências, pesquise, procure. A notícia boa é que tudo pode servir como referência. Os melhores criadores de tendência são aqueles que percebem essa referência nas coisas comuns que ninguém vê. Uma folha seca, uma garrafa de água, o jeito que um livro cai no chão e faz determinado som. Tudo é experiência, tudo serve na hora da criação, por isso, é preciso estar atento e anotar tudo. Registre TUDO que pareça interessante de uma forma interessante. Não importa o jeito que ela vai ser registrada, mas registre. Tenha um espaço para guardar suas referências. Você vai precisar de todas algum dia.  Não inventa que vai lembrar depois, porque você sabe que não vai. Nunca descarte uma ideia. Às vezes, ela não é boa agora, mas no futuro vai servir pra outra coisa que você nem imaginava. Pare de procurar a resposta. Descubra quais são as perguntas certas.

Ouça mais do que fale. Todas as pessoas são interessantes. Se você não viu nada é porque não olhou direito. Todo mundo tem histórias pra contar e todo mundo conta uma história de um jeito único. Anote as histórias, interprete as feições e os sentimentos. Tente descobrir o que está por trás de cada palavra, cada gesto. Nada deve ser descartado quando se trata de gente. Elas são o foco de qualquer criação.

Mude rotas. A gente tem o costume de sempre ir pelo mesmo caminho para os lugares. Tente descobrir novas formas de ir. Pare em algum lugar que você sempre passa, mas nunca se dá a chance de conhecer as pessoas dali. Procure a origem das coisas, as raízes de tudo. Elas são um bom fio condutor de uma história. Observe a luminosidade do dia. Minha hora preferida é às 16h. A luz reflete nas coisas de um jeito diferente em cada momento do dia, por isso, uma rua passa a ser várias ruas diferentes em cada momento do dia. Descubra sua hora preferida e aprecie esse momento sempre que puder. É o seu momento.

Incorpore e aceite que tudo é inconstante. Nada está finalizado e você tem a oportunidade de vivenciar isso. Viver é isso. Todos os dias você tem a oportunidade de ver o processo de transformação das coisas. Sua criação já tem todas as ferramentas necessárias e está tudo ao seu alcance. Olhe de novo, se achar que não viu nada. Dialogue com o ambiente a sua volta. Crie um modo de fazer isso, não me interessa como. Eu ainda estou tentando descobrir o meu.

Pare de procurar um sentido para as coisas. O sentido está em volta de você. O tempo inteiro.

Abundância: Porque o futuro vai ser melhor do que você pensa

Texto por Sophia Alziri

Precisamos falar sobre o futuro, e hoje eu vim falar dele de um jeito positivo. Chega de negatividade.

Há um tempo li esse livro que mudou muito jeito de ver o futuro. Sabe aquele tipo de coisa que você fala: cara, o mundo todo precisa saber disso!!!!!

Então, caro leitor, vou te contar porque esse livro mudou minha vida e assim você nem vai precisar lê-lo, mas vai poder citá-lo nas conversas de bar e parecer maneiro. Bom negócio, diz aí.

A premissa de Abundância é a seguinte: A humanidade está agora entrando em um período de transformações radicais no qual a tecnologia tem o potencial de fazer com que as necessidades básicas de todos os seres humanos do planeta sejam alcançadas. Dentro de algumas gerações nós vamos prover serviços que antes eram reservados a apenas uma parte da população para todos.

Tá achando que é utopia né? Papo de hippie?

Mas não tem nada disso não, os autores do livro são figuras mega influentes do Vale do Silício que simplesmente têm acesso a todo tipo de inovação tecnológica e às pesquisas mais modernas. Resumindo, eles tão vendo agora tudo de mais avançado rolando que fatalmente vai chegar a todo mundo em algum momento.

E, ó, o livro não tem nada de Era de Aquários não. São 50 páginas só de gráficos pra provar pro céticos.

Então,

Abundância, nesse caso, tem a ver com recursos, dos mais básicos aos menos emergenciais. Do tipo: alimentação, moradia, educação, saúde, ar limpo, água potável, acesso a cultura e internet.

O jeito de chegar a esse paraíso de abundância é tecnologia. Que no caso é qualquer aparato que sirva de ajuda pro ser humano trabalhar de forma mais eficiente. Do tipo: Tenho uma árvore de maçãs, eu sozinha tenho acesso a um certo número de maçãs. Mas com a ajuda de uma escada posso chegar ao topo da árvore e então pegar mais frutas, gerando assim abundância de recursos.

Até aqui está bem obvio, né?

Mas olha essa história:

Napoleão III em 1840 ofereceu um banquete aos seus convidados Vips. Reis, nobres, só gente fina. Os convidados receberam talheres de ouro mas só os mais tops comeram em talheres de alumínio. O fato de alumínio ser um dos metais mais presentes na Terra não significava nada porque sua extração era dificílima. (fato interessante: é por isso que a ponta do monumento de Washington, que foi construído nessa mesma época, é feita de alumínio).

Mas em 1854 Henri Sainte-Claire Deville descobriu uma forma de extrair o metal que reduziu seu preço em 90%. Depois ainda veio a eletrólise que gerou de uma vez uma abundância do metal. E a ideia é que isso possa acontecer com outros recursos também.

Continuemos…

Pra começar, o livro já começa explicando as causas psicológicas do sentimento mais natural de se sentir quando lendo a frase ”porque o futuro vai ser melhor que você imagina”: o pessimismo.

Lá na época das cavernas, há muitos anos, quando nossa espécie tinha que sobreviver na natureza selvagem, nós desenvolvemos um cérebro preparado pra detectar o perigo. Nosso cérebro dá naturalmente mais atenção a notícias negativas porque, há milhões de anos, se você não fizesse isso significaria o seu fim.

A mídia, que não é boba nem nada sabe disso e usa dessa nossa falha pra vender mais. Assassinatos, ataques terroristas, crises econômicas e políticas preenchem nossos dias. Não é à toa que somos pessimistas em relação ao futuro.

Mas a verdade é que analisando a nível macro a situação mundial, absolutamente todos os indicativos básicos melhoraram em todos os países do mundo.

Alguns exemplos:

Em 100 anos dobramos a expectativa de vida mundial. Estamos vivendo no momento mais pacifico da nossa história.  A renda per capita média mundial triplicou.

Se você não acredita em mim, acredite nesse cara:

Outro ponto sobre nosso cérebro é que ele foi desenvolvido em uma lógica local e linear. Mas, hoje, o mundo é tudo menos isso. Ele é global e exponencial.

Pra você entender a diferença entre linear e exponencial olha isso aqui: Se você der 30 passos lineares você sabe que vai chegar a mais ou menos 30 metros. Agora se você der 30 passos de forma exponencial sabe quanto vai dar? 1,2,4,8,16,32,64… Em 30 passos serão 1,073,741,824 metros ( é um bilhão tá?)

QUER DIZER, nosso cérebro evoluiu em um mundo linear, mas criou algo (a tecnologia) que evolui a nível exponencial. Isso significa que a mente do ser humano é limitada ao conceber o futuro. Ele só consegue enxergar um futuro seguindo a lógica linear mas a tecnologia avança e transforma a sociedade de modo exponencial.

Doido, né?

A doidera não pára por aí, não. Existe um lei pra definir esse avanço da tecnologia e desde que foi criada, em 1965, tem se mantido constante mesmo em períodos de guerras e recessões econômicas.

A Lei de Moore diz que o poder de processamento dos computadores dobraria a cada 18 meses (Entenda computadores como a informática geral, vale para todos os tipos de processadores, desde calculadoras, câmeras digitais, sensores, computadores domésticos até super computadores).

Gordon Moore foi um cara que observando a indústria de tecnologia do qual ele fazia parte e tendo acesso às pesquisas mais avançadas da época (exatamente o mesmo caso dos autores do livro) chegou a essa lei.

Isso quer dizer o que a gente já sabe. Quanto mais o tempo passa, mais a tecnologia mais avançada fica cada vez mais barata.

Na prática, isso quer dizer que hoje esse africano aí da foto tem acesso a um serviço de comunicação melhor que o presidente dos EUA tinha há 25 anos. Isso porque se ele tivesse um smartphone ele teria acesso a mais informação que o Bill Clinton, há 15 anos atrás.

Também significa que o seu Iphone tem mais poder computacional que os computadores da NASA que colocaram o homem na lua. É sério. Essa imprevisibilidade para nós meros mortais não super cientistas é o que faz a tecnologia ser tão poderosa.

Quem poderia prever em 1995 (além dessa cara em 1974) quando menos de 1% da população mundial tinha acesso a internet que em 2005 teríamos o primeiro bilhão de pessoas conectadas, em 2010 o segundo e em 2014 o terceiro. Hoje 40% do mundo tem acesso a esse serviço e segundo a UNESCO em 2020 seremos 5 bilhões. Então, em 5 anos teremos mais 2 bilhões de pessoas conectadas. E com mais 2 bilhões de mentes conectadas o que vamos aprender? O que essas pessoas que nunca tiveram voz vão acrescentar a nossa grande conversa mundial? O que eles tem pra nos dizer? E mais importante, o que elas vão criar?

Essas novas mentes são uma força chave pra entendermos porque o futuro pode ter um resultado melhor do que imaginamos. Isso junto com o que o livro chama de poder do DIY dá uma possibilidade infinita de inovação.

Durante uma tarde brincando de montar um avião de lego com seu filho, Chris Anderson editor da revista Wired teve a ideia de montar um avião de controle remoto. Como ele não sabia nada sobre o assunto, resolveu montar um fórum on-line chamado DIY drones. Aos poucos pessoas do mundo inteiro começaram a entrar e trazer suas ideias. Com o uso de um design open-source a conclusão desse fórum foi a criação totalmente colaborativa de um drone que tem 90% das capacidades de drones militares, mas custa 1% do seu preço.

Drones obviamente podem ser usados pra coisa terríveis, mas também pra levar alimento, remédios ou outros materiais básicos pra lugares onde não existem nem rodovias. A um custo de 6 centavos (de dólar) por quilo. Bem incrível.

Essa história dele você pode ouvir aqui:

O legal desse exemplo é observar que, hoje, graças a conexão, pequenos grupos trabalhando em conjunto, sem nem precisar se encontrar, tem o mesmo poder de criação e execução que há alguns anos só governos e grandes corporações tinham. E exemplo atrás de exemplo fica mais claro que esses grupos de DIY innovators são muito mais eficientes que essas instituições gigantes.

O livro traz mil exemplos de tecnologias disruptivas de mil áreas, desde biotecnologia, nanotecnologia, energia, saúde, robótica, inteligência artificial, impressão 3d até liberdade de expressão (que a Primavera Árabe deixou bem óbvio o poder da tecnológica nesse campo)

Alguns dos exemplos mais legais:

SLINGSHOT TRAILER from White Dwarf Productions on Vimeo.

Dean Kamen e sua Slingshot transforma água salgada ou até de esgoto em água potável a custo de 1 centavo por litro. Adeus papo de guerra no Brasil pra roubar nossa água (e, ei, governo de SP, precisamos!).

Falando em água, sabia que 70% da água que é gasta no mundo vai pra agricultura né?

Pois Dickson Despommier já tem uma solução de fazendas verticais envolvendo agricultura aeroponica. Aeroponicos são 70% mais eficientes que hidropônicos que são 70% mais eficiente que a agricultura tradicional. Sentiu o drama?

O resultado é um processo que usa 80% menos de área cultivada, 90% menos de água e 100% menos pesticidas a um custo quase zero de transporte já que essas fazendas estariam localizadas em qualquer prédio no centro de cidades. Segundo seus cálculos, 150 dessas fazendas poderiam alimentar Nova York inteira por 1 ano. Dá uma olhada nesse projeto.

Energia?

É estimado que a terra seja atingida pelo sol por 5 mil vezes mais energia do que a demanda mundial de um ano todo. Hoje só 1% da nossa energia é produzida por painéis solares, mas você já entendeu que com a penetração da tecnologia exponencial tudo é possível.

Saúde?

Um dos autores do livro, Peter Diamandis é também fundador de um fundação chamada Xprize que organiza competições do tipo: 10 milhões de dólares pra qualquer time que criar um dispositivo móvel do tamanho de um celular que te diagnostica melhor que um grupo de médicos certificados. E já tem 7 grupos finalistas do mundo todo competindo.

Enfim, podemos ficar o dia todo aqui dando exemplos.

A esse ponto você deve ter pensado ok, mas que existem mil tecnologias limpas no mundo a gente já sabe. O problema são as mega corporações que vão querer manter o status quo pra continuar ganhando dinheiro.

Sim, isso fatalmente vai acontecer.

Mas se não for pro bem acontecer por empatia que seja então pelo capital que sempre se provou um grande catalizador de mudanças. Muita gente já percebeu que a população pobre quando empoderada ao mesmo que se torna um mercado consumidor valioso melhora a economia dos lugares onde essas pessoas estão inseridas. Iqbal Quadir foi um dos primeiros caras que percebeu a capacidade de gerar riqueza por transações feitas por celulares se liga na história dele:

No Kênia, uma empresa lançou um serviço de banco por celulares como o dele. M-pesa tinha 20 mil consumidores no primeiro mês de vida em 2007, em 2011 eram 13 milhões. Um mercado inexistente em 2007 que movimenta 16 bilhões 4 anos depois é um acontecimento bem surreal. E bom, apesar de bancos não serem as instituições mais amadas do mundo (e não deveriam ser mesmo) o resultado disso foi um crescimento de 5 a 30% na renda média dos kenianos que usam o banco.

Sobre isso uma pesquisa da London School of Business and Finance descobriu que adicionando 10 celulares a cada 100 pessoas adiciona 0,6% ao do PIB do país.

Doidera.

Há 20 anos, um americano gastaria 10 mil dólares em mil objetos tipo câmera, celular, cd player, relógio, alarme, enciclopédias e etc que hoje o cara da periferia tem na palma da mão por bem menos que isso. Isso deixa claro o quão “desmonetizadora” é a tecnologia exponencial. Olha como esses 10 mil dólares não significam nada hoje. Esse é o poder do que estamos falando aqui. A tecnologia evolui a um outro nível do que podemos conceber.

E não existiu um plano de fazer com que essas coisas sumissem. Inventores simplesmente fizeram um aparelho mais eficiente, e as pessoas fizeram o resto (criaram apps, fóruns on-line, blogs etc).

Mas assim como já estamos vendo na guerra Uber x Taxistas, a transição não será fácil. No meio do caminho vamos ter que lidar com desemprego em massa que sem dúvidas será um grande desafio (mas que já tem gente apresentando soluções).

E se olharmos a história, a tecnologia e a eficiência que ela traz, nunca perderam a batalha. E não só nós sempre conseguimos nos adaptar como também melhoramos a vida de todo mundo nesse processo. A conclusão que a gente tira dessa história toda é uma coisa que eu já repeti mil vezes e vou falar de novo: é que tecnologia é uma parada poderosa pra caramba. Ela, assim como qualquer ferramenta, pode e é usada pra coisas horríveis e maravilhosas.

As tecnologias de comunicação não asseguram um mundo mais livre e democrático por si só.  O que ela claramente garante é uma plataforma de cooperação. Onde empresas podem se juntar a governos que podem se juntar a pessoas que podem cooperar com outras pessoas a fim de empoderar o indivíduo, promover democracia e igualdade.

A diferença é que dessa vez não precisamos torcer pro acaso do governo ou grandes corporações se movimentarem por nós. Nós sabemos onde temos que chegar e temos acesso a todo tipo de informação que precisamos pra chegar lá. E não precisa ser cientista ou mega influente no Vale do Silício. A tecnologia colocou, literalmente, nas nossas mãos a responsabilidade de tomar partido.

E da próxima vez que seu amigo pessimista vier com mimimi só coloca um desses vídeos aqui do texto pra ele.

Pra saber ouvir o próprio autor falando do livro (vale muuuito a pena) dá um play aqui:

8 coisas que aprendi a desaprender

Algumas ideias são plantadas em nossas cabeças desde que somos pequenos, como se fossem uma sementinha. Assim nasce uma cultura, um pensamento em larga escala, um comportamento padrão. Por isso, é muito difícil desconstruir uma ideia que foi imposta, depois germinou e virou uma árvore com raízes fortes. Chega uma hora na nossa vida que é bom rever os conceitos. É importante perceber se aquilo que sempre te falaram, realmente te faz bem. Se sim, é só seguir em frente. Se não, é hora de arrancar as raízes, quebrar os galhos e preparar a terra para novas ideias mais sadias.É um processo difícil, mas a gente chega lá.

1) Idade

O tempo todo falam sobre idade. Com 30 não dá mais pra fazer isso, com 40 não dá mais pra fazer aquilo, com 20 você é um idiota que não sabe nada da vida, com 25 você é um perdido. Com 18, nem te consideram nada, apesar de você se achar adulto o suficiente. Idade é o que menos importa. Aprendi a não perguntar a idade de ninguém. Não me importa quantos anos as pessoas viveram e sim as experiências que tiveram.

2) Trabalhar com o que se gosta é a fórmula da felicidade

Sim! Claro, essa dica é uma das principais para levar uma vida repleta de felicidade, mas nem de longe ela é a solução dos problemas. Trabalho dá trabalho. Tem dia que você vai querer ficar dormindo até mais tarde, outros dias você vai desejar morar pra sempre numa ilha distante. Trabalhar com o que eu realmente gosto é uma grande motivação para mim, mas aprendi a respeitar meu tempo. Ou pelo menos estou tentando.

3) Felicidade só é boa quando é compartilhada

O fato é que essa tal da felicidade me irrita. Não existe isso de ser feliz o tempo todo, mas deixa isso pro próximo tópico. Você não precisa dividir sua felicidade com uma única pessoa que vai entender todos os seus desejos e anseios. A felicidade deve ser compartilhada em momentos de felicidade. E, no final das contas, ela está em todos os detalhes: quando você aprende uma coisa nova, quando compartilham uma experiência que você consegue acessar a memória da outra pessoa e, de repente, parece que você esteve lá também. Quando você ri muito de alguma coisa por muito tempo, por mais que já tenha perdido a graça, você continua rindo porque a outra pessoa também tá rindo. Quando você ajuda alguém e ela agradece. Quando você cruza com alguém que não vê há muito tempo. A felicidade deve ser compartilhada, mas com várias pessoas, várias vezes ao dia. E, claro, deve ser compartilhada com você também. Quando você fica ouvindo a mesma música no repeat, lendo um livro que te tira do ambiente em que você está. Ou, quando você pensa deitado na cama, com os pés pra cima, apoiados na parede. Dá pra ser feliz várias vezes ao dia. Não precisa estar apaixonado. Por isso, o mais legal é se apaixonar várias vezes ao longo da vida. Talvez seja pela mesma pessoa, talvez seja por várias, talvez por você mesmo. O importante é lembrar que você é sempre vários e ser companhia para si mesmo deveria ser uma felicidade compartilhada também.

4) Felicidade plena

Não sei quem colocou na nossa cabeça essa ideia de que vamos alcançar a tal felicidade. Já viram a peça “Esperando Godot”? Tudo bem, ela foi uma peça escrita depois da segunda guerra mundial e talvez quisesse dizer muito mais do que isso, mas a moral da história é que os dois personagens passam a peça inteira esperando por Godot, mas ele nunca vem. A peça inteira é uma discussão sem fim de cadê o tal do Godot. Sei que é clichê essa coisa de “sua vida passa enquanto você procura a felicidade”, mas é verdade. Porque a felicidade que você tanto almeja nunca vai chegar. Ela já está aqui, escondida em algum lugar que você não consegue ver. Ela está nos mínimos detalhes. Se você parar pra observar, tudo é mágico, tudo se conecta. Tudo é útil, porque tudo é um presente. Você usa isso da forma que quiser. Eu tive um professor que falava que pra saber se você tem uma vida feliz, basta observar como você se sente nos domingos. Se estiver muito bem, mesmo sabendo que no outro dia é segunda-feira, você é uma pessoa feliz. Criei uma teoria em cima disso: domingo é o dia que você mais precisa focar no presente, senão ele escapa rápido. Se você aprendeu a lidar com os domingos, você aprendeu a viver o momento presente. Bingo. Muita doses de felicidade no seu dia a dia, sem essa lenga lenga de feliz pra sempre.

5) Par perfeito

Não tem como encontrar o par perfeito em outra pessoa. Eu sou a única pessoa que convive comigo 24 horas por dia, então eu tenho que ser meu par perfeito pra me aturar por tanto tempo. Odeio frases no imperativo, mas SEJA O PAR PERFEITO PARA SI MESMO. Todo mundo vai parecer menos problemático e, de repente, você vai perceber que é mais compatível com os outros do que imaginava. Sabe aquela história de que o que te irrita no outro, na verdade, são defeitos seus que você não conseguiu trabalhar? Então, resolva-se primeiro, depois queira que alguém seja perfeito pra você.

6) Namorar é ter alguém pra você

Em primeiro lugar, ninguém é de ninguém. Todo mundo já traz uma história de vida antes dos novos relacionamentos. Tem seus amigos, seus sonhos, sua rotina. Não é por que você encontrou alguém que agora deve isso tudo a ela. Ninguém tem o direito de invadir o espaço do outro, sistematizar o que o outro vai fazer, ficar chateado quando o outro não quer te acompanhar no seu programa de índio. Namorar é dividir.

7) Seus pais sabem o que é melhor pra você

Nunca sabem. Eles, como qualquer outro ser humano, sabem só o que é melhor pra eles.

8) As drogas que são ilegais fazem mais mal do que as legais

Já percebeu o que o álcool faz com você? Você passa mal, acorda com uma ressaca monstruosa no dia seguinte, com dor de cabeça, dor de estômago, cansaço. Beleza, tem gente que é super resistente à bebida alcóolica, tem gente que ama beber e nunca passa vergonha. Mas acho que a gente deveria observar mais a reação do nosso corpo quando fazemos as coisas. Ele também fala, conversa com a gente e pede para parar. É só prestar atenção. Outras drogas que mexem com nossa cabeça, também podem fazer mal quando usadas em excesso, mas isso não é novidade para ninguém. As drogas afloram apenas aquilo que já existe em você, por isso, talvez você tenha que lutar com alguns monstros que permanecem hibernando no subconsciente da sua sobriedade.

Se o amor da minha vida não chegar

Se o amor da minha vida não chegar, vou publicar todos os meus casos de amor. Em de-ta-lhes. E vão ser vários. Vou chorar pitangas com as amigas, fazer brigadeiro, depois vou pra academia e pintar o cabelo de loiro. Vou odiar tanto a cagada que o cabeleIreiro fez que nem vai dar tempo de lembrar quem era esse otário que me fez chorar. Vou fazer hidratação e vou voltar a ter meu cabelo castanho de sempre, só que com um pouco menos de brilho porque não há cabelo que sustente uma água oxigenada. Vou comprar batons de várias cores chamativas e misturar com roupas de cores diferentes. Até azul eu vou comprar. Vai que eu resolvo me fantasiar de alguma coisa…

Vou alugar um apartamento só meu. E vou pintar uma das paredes de vermelho. Vou começar a decorar pelos quadros. Vão ser fotos do Oprisco por todos os lados. E fotos das minhas diversões ao longo da vida. Eu vou ter uma cama de casal pra poder levar quem eu quiser. E o lençol tem que ser branco. Não vou precisar decidir se vou casar ou comprar uma bicicleta. Eu vou comprar uma bicicleta e pronto.  Minha casa sempre vai ter gente, mas alguns dias eu vou preferir ficar sozinha lendo um livro e tomando um bom vinho. Em outras noites vou tomar leite com nescau vestida com meu casaco de lã. Vou ver “Como perder um homem em 10 dias” pela décima vez e dormir antes de chegar o final, que é a parte mais previsível.  Outras noites eu vou ficar no redbull porque vou ter alguns textos para entregar e outros para decorar. Vou chegar sempre por volta das 23h, porque eu vou estar envolvida em vários projetos artísticos e sempre envolvida com várias pessoas. A noite é feita para aqueles que ainda não encontraram o amor da vida, então eles vão distribuir esse amor com um monte de gente por aí. Vou continuar tendo meus inúmeros casinhos, mas sempre vai ter um que tira minha noite de sono, seja rolando na cama ou porque estou desabafando sobre ele com uma amiga ou com o Word. Depois vai passar e eu vou me apaixonar de novo e de novo. E eu não vou ter problema em conhecer outro cara incrível em uma viagem que eu fizer sozinha, porque meu coração vai ser só meu.

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Eu vou viajar quinta à noite sem avisar ninguém (só meu chefe), porque um amigo conseguiu alugar uma casa aqui pertinho. Eu vou juntar grana, fazer um mochilão pela América Latina, porque Europa já tá batido, por mais que eu nunca tenha conhecido a Europa. Eu vou querer me mudar pra Ásia quando eu conhecer o cara dos meus sonhos que vai se mudar pra lá. Vou fazer todos os planos, até que um dia, sem querer, eu vou ter uma noite maravilhosa com outro rapaz e aí a Ásia pode ficar pra depois.

Todos os dias vão ser diferentes porque nunca fui muito de rotina. Sexta eu vou chamar minhas amigas pra fazer uma comida diferente em casa enquanto a gente espera a cerveja gelar. Domingo eu vou fazer um almoço para aqueles que eu mais gosto, depois vou ao cinema assistir um filme cult que eu não entenda nada.  Em outro fim de semana eu vou sair pra dançar, tomar uns drinks diferentes e voltar pra casa sozinha, mas com o coração cheio, porque sair só pra dançar é uma das coisas que me deixam mais completa. Por mais que nenhum cara acredite, uma das coisas que as mulheres mais gostam de fazer é sair SÓ pra dançar. A gente gosta de se sentir bonita, viva, feliz e desejada, mas isso não quer dizer que queremos sair de lá com um cara qualquer. Um cara qualquer não substitui a felicidade de dormir sozinha até meio dia porque passou a noite dançando suas musicas preferidas junto com suas amigas preferidas. Isso também não quer dizer que a gente não ligue para sexo. Até porque eu ligo bastante. Mas entre sexo meia boca e uma boa noitada suando a camiseta, eu fico com a segunda opção. É muito bom se sentir desejada, mas ao mesmo tempo não sentir desejo por ninguém.

Em outros fins de semana eu vou pra praia cedinho, vou fazer suco verde e fingir pra mim mesma que agora eu virei saudável. E já que um grupo de amigos legais é tudo que uma pessoa solteira precisa, é com eles que vou dividir meus dias, por mais que todos comecem a se casar. Vou estudar fora. Em qualquer lugar que pintar uma oportunidade de fazer arte. Depois vou passar um tempo morando em San Francisco, porque dizem que lá é a minha cara eu quero me entupir de conhecimento, cerveja e de pessoas que aquecem o coração.

Enfim, vou descobrir que de nada vale encontrar o amor da vida se eu não viver o melhor da vida comigo mesma. Então, se ele não chegar, eu vou viver minha vida como eu sempre vivi, sem esperar um feliz para sempre e investindo no feliz agora. Vai ter espaço pra muito amor, por mais que eu me sinta sozinha alguns dias, por mais que me olhem com cara de pena, por mais que achem que eu me envolva com várias pessoas para preencher esse vazio. Mas não tem vazio nenhum, é só muito amor pra dar e pouca vida pra ser desperdiçada.

E se por um acaso isso de amor da vida existir, eu vou saber quando ele chegar porque eu não vou precisar abrir mão de nada disso.

Chega de falar mal das redes sociais

Estamos todos conectados. De uma forma física, eu quero dizer. A internet possibilitou encurtar tempo e espaço que conhecíamos como “real”. Algo que você diz aqui no Brasil pode ser lido por alguém no Japão no segundo em que algum conteúdo foi postado online. Isso todo mundo já está cansado de saber, mas mesmo assim insistem em falar mal das redes sociais e afirmar como a vida era melhor antes Facebook. Casais se separam por causa do Whatsapp, a inveja da vida alheia começa a parecer algo comum e a ideia de que não estamos vivendo algo real nos apavora. E adivinha? Mesmo assim continuamos postando nossas fotos no Instagram com um filtro legal pra dizer onde estávamos.

Falar mal dessas redes sociais é uma forma de não saber lidar com essa nova forma de se comunicar. Achar que uma realidade virtual é menos real do que a fora do mundo online pode ser uma ilusão, porque não é como um sonho em que você vive certas coisas e depois elas não existem mais. Nas redes sociais a vida continua bem viva e é possível trocar ideias, manter contato com velhos amigos e se apaixonar perdidamente. Se isso é irreal, então não sei o que é real. Vivem nos dizendo que temos que aproveitar mais a nossa vida off-line, mas acho que a gente já aproveita a nossa vida off-line quando tá a fim. Às vezes, a discussão no Facebook tá realmente mais interessante do que o papo furado da mesa. Vai saber…

As redes sociais são apenas novas formas de comunicação, que, claro, estão transformando o mundo e nossas relações. Mas nós as criamos. Nós é que temos a capacidade e o poder de decidir quando podemos ficar online. Nossos smartphones são realmente uma forma de dividir esse tempo, mas eu não considero isso uma coisa ruim. E alguns vão dizer: “a parte ruim é que a pessoa está lá, mas ao mesmo não está lá. Ela está conversando com outra pessoa pelo whatsapp e não com quem está na sua frente”. De fato isso acontece, mas cabe a ela saber o momento de dividir a atenção. Ela pode estar com você e compartilhando esse momento com outra pessoa, fazendo com que a outra pessoa também faça parte do momento. E isso é mágico. É como se a gente tivesse superado os limites da distância.Essa comunicação à distância nunca vai ser o necessário para matar a saudade, mas ajuda bastante. É uma bobagem achar que a gente vai se acostumar com isso e que as relações vão ficar mais frias. Nós é que devemos criar os limites, porque somos nós que nos comunicamos e nós que usamos todas essas ferramentas online.

Talvez a gente esteja só com medo do que essa nova forma de comunicação pode nos causar. É um novo espaço para nos comunicarmos e criamos ideias a partir daí. Estamos apenas facilitando a vida. Não há nada de irreal na vida online, por mais que afirmem que todo mundo posta só coisas boas, que querem passar a ideia de uma falsa vida e que ninguém é tão feliz assim. Mas, por que as pessoas vão postar sobre as coisas ruins? Talvez uma pessoa querendo mostrar uma vida incrível pelas redes sociais tenha realmente uma vida incrível ou pode estar com a auto-estima tão baixa que precisa de atenção constantemente. Mas ela daria um jeito de conseguir isso mesmo fora do Instagram. Talvez fulaninho não esteja postando uma foto para mostrar que a vida dele é melhor do que a sua, mas para simplesmente compartilhar um momento com os amigos, para que, de certa forma, todos estejam conectados. Agora, você tem a capacidade de saber onde as pessoas que você conhece estão, ou o que estão fazendo. A gente pode não falar com uma pessoas há séculos, mas sabe que ela teve neném recentemente e está feliz. Descobre que o outro amigo foi promovido, o outro encontrou o amor da vida. Às vezes, a gente nem conhece a pessoa direito, mas curte um monte de coisas engraçadas que ela posta. Você se sente mais perto de todo mundo. Agora é possível ter uma visão geral do que está acontecendo. E algumas pessoas vão dizer que isso é ruim, porque a gente deveria estar vivendo a própria vida. Mas, sabe, uma coisa não exclui a outra. O fato de você saber o que fulaninho está fazendo não deveria interferir na sua vida de uma forma ruim. Se interfere, a culpa não é das mídias sociais.

Essa nova forma de comunicação é apenas uma expansão dos nossos conhecimentos e da nossa vivência. É um novo jeito de compartilhar tudo isso e receber mais informação em troca. A gente ainda está meio perdido, mas muita gente já criou várias coisas bacanas por causa dessa troca que a Internet nos proporciona. A gente deve encontrar formas de encaixar essa vida virtual na nossa vida off-line e construir ideias que vão além disso. Devemos olhar para as mídias sociais como uma ferramenta e não como algo que nos aliena do mundo real ou que nos distancia das pessoas. É justamente ao contrário. Precisamos agregar. Nunca na história da humanidade tivemos tantas oportunidades escancaradas a nossa frente. Isso assusta, mas ao mesmo tempo é o que temos de mais valioso na nossa geração. Vamos olhar para essas novas formas de comunicação como uma opção e não como um fardo da humanidade egoísta e mesquinha. Tudo que você postar ali, vai começar a fazer parte da história do mundo. Cada um usa a ferramenta da forma que lhe convém. Faça bom uso das redes sociais.

O mundo é poser

Todo mundo quer ser alguém. Talvez não alguém em carne e osso, mas alguém que seja um personagem nosso, como se fosse uma imagem de pessoa ideal. A partir daí fazemos tudo em busca dessa “pessoa”. Talvez a felicidade que tanto esperamos seja o encontro entre alguém que você quer ser com alguém que você realmente é. E eu não acho que tenha problema nenhum nisso se não te prejudicar e não reprimir suas verdadeiras vontades.

O problema é que hoje em dia parece que a maioria das pessoas se padronizaram. Agora a pessoa ideal é praticamente a mesma para todo mundo. Não existem mais vários grupos diferentes, mas poucos, onde as pessoas gostam de ser rotuladas apesar de falarem constantemente “Eu não gosto de rótulos”. Todas as pessoas se vestem igual, escutam as mesmas músicas ‘cools’ e tiram as mesmas fotos. Todo mundo quer que a vida seja igual a uma foto espontânea com efeito vintage. Tudo que é antigo é muito cult. E a questão é que todo mundo sabe que ninguém é assim naturalmente. Essas fotos antigas dos nossos avós, que são super legais, só são super legais porque eles não estavam pensando no status que aquela foto ia trazer. Eles só tiravam e ficavam felizes por aquele momento ter sido registrado. Hoje tudo é muito forçado, tudo é pra passar uma imagem do que se é. O que você é todo mundo está vendo. A gente não engana ninguém, só nós mesmos.

A maioria das coisas que existem no mundo é uma cópia de outra coisa. Todas as ideias têm uma base, por mais originais que sejam. E isso não é uma crítica, é apenas um fato. As grandes inovações também surgiram de algo, por exemplo, da natureza. E se formos entrar no assunto “e a natureza, de onde veio?”, eu vou responder que simplesmente não sei. Ninguém sabe a origem de tudo. Talvez o Big Bang também seja uma cópia de um universo que era meio sem graça. Vai saber…

Não tem como ser cem por cento original, mas isso não significa que precisamos ficar presos na mesmice. As pessoas começaram a ter noção de que ser diferente é legal, pois o diferente se destaca. O problema é que se esqueceram de nos contar que quando todos querem ser diferentes, todos ficam iguais. E o pior é que os pensamentos ficam todos no mesmo nível. Ninguém se permite pensar e dar uma ideia diferente do diferente padronizado. E o mundo começa a gerar as mesmas coisas de sempre, se transformando em um lugar monótono.

A gente deveria usar esse nosso lado “wanna be” como influência e não como lema de vida. É possível virar o que queremos ser, mas desde que ainda seja você. Muitas pessoas estão sem coragem de assumir uma ideia, pois vai fugir dos padrões se for uma ideia idiota. Uma vez me falaram que uma ideia boba era igual um aluno bagunceiro em sala de aula. Se você der a dose certa de estímulo para ele, ele vira um gênio. E estão faltando mais corajosos que exponham suas ideias idiotas para o mundo para que elas virem geniais. Uma ideia só é idiota quando é vista por um idiota.

A nossa personalidade vai se moldando com aquilo que achamos que é certo e legal, mas não para que alguém diga que é legal. Nós sabemos o que nos faz bem. Deve dar muito trabalho ser uma farsa o tempo todo. Em algum deslize, alguém te descobre. Ninguém é tão incrível como mostra ser. Todos têm suas fraquezas. Não precisa sair mostrando quais são, mas também não precisa fingir que elas não existem, porque ninguém é super-herói. Acho que ser um ser humano ainda deveria ser normal.

Hoje eu chorei na rua

Na cidade de onde eu venho as pessoas choram dentro do carro, ou no máximo dentro do ônibus, escondidas, de óculos escuros e encostadas na janela. Eu sempre chorava no meu carro e gritava pra ver se a dor ia embora mais rápido. Mas hoje eu chorei na rua, enquanto todas as pessoas passavam por mim. E eu nem vi se eles olhavam, eu só sabia que eu tinha que andar o mais rápido possível para chegar à praia. Eu chorei porque eu ainda não entendi a grandezas das coisas. Ainda sou pequena demais e talvez eu não consiga compreender a vastidão do mundo. Pela primeira vez eu senti que eu não estava mudando apenas de casa, mas mudando de pele. Abrindo meus braços para me atirar e enfim, talvez voar. E dá muito medo essa história de mudar continuando o mesmo, porque parece impossível, mas é assim que acontece.

Eu chorei principalmente por eu estar no lugar onde eu mais queria estar, onde eu tive que batalhar para estar, e agora eu me sinto vazia. Sinto como se qualquer ventinho me fizesse voar pra longe. Eu choro por tudo, me emociono com qualquer besteira e sinto muita, mas muita saudade de tudo. Até de coisas que eu nem sabia que dava pra ter saudade. Eu ando à flor da pele, queimando, queimando. Parece que eu estou vivendo uma vida que não é minha. Nada aqui é meu. Esses pensamentos não são meus, nem essa fraqueza, nem essa frieza que na verdade esquenta na hora que não é pra esquentar. Estou em um apartamento lindo, mas nada aqui é meu. O apartamento já veio todo pronto, mas não me vejo em nada. Meu banheiro tem cortina no box. Eu sempre falei que não queria morar numa casa que tivesse cortina no box porque é feio. O conceito de feio mudou bastante nesses últimos tempos. Minha vista é linda e em dois minutos eu tô na praia. É localização que eu quis desde o dia que eu pisei na praia, com 2 anos de idade. Eu sabia que meu lugar era perto do mar e que alguma coisa um dia iria me levar para lá. Aliás, para cá. Agora eu moro perto do mar e ele não consegue preencher meu coração. Achava que o coração se colava com cola de maresia, que nem a Adriana Calcanhoto cantava naquela música.

Aqui o tempo passa muito rápido. Quando eu vejo já são 6 da tarde e quando eu pisco de novo são 2 da manhã. E eu fico me procurando todos os dias, tentando entender quem é essa pessoa nova que mora dentro de outra tão desgastada. Acho que eu já não me cabia mais. Meus sonhos cresceram tanto que eu tive que crescer também. Talvez a carapuça não sirva mais e eu tenha que me reinventar. Novos sonhos, novos caminhos. Talvez não novos, mas maiores e concretos, que se encaixem em mim.

O problema é que descobri que estou em crise. Existencial, psicológica, de personalidade, emocional, não sei. Não sei dizer que tipo de crise é a crise de quando você quer ser algo que você não é. Todas, provavelmente. Eu sempre quis ser genial. Sempre pensei que alguma hora eu faria alguma coisa que ia mudar tudo, ia mudar as pessoas, ia mudar a história ou sei lá. E aos poucos eu fui descobrindo que eu sou só mais uma. Não sou mais interessante e inteligente que ninguém. Não leio, estudo ou me jogo no mundo o suficiente pra isso. Também não nasci genial, porque até eu me convencer de que eu era boa em alguma coisa eu precisei entrar no teatro, há alguns anos. Foi então que eu percebi que as coisas só dariam certo se eu as fizesse para mim e não para mudar alguém. E no teatro eu podia ser todas essas coisas e pessoas e pensamentos que eu era ao mesmo tempo. Eu pude me abrir ao meio e me mostrar, porque na arte todas as ideias são acolhidas de uma forma diferente. A arte te coloca em choque com a sua própria vida. Você começa a ver que o mundo realmente não faz sentido nenhum, mas que a vida vale a pena ser vivida. Então eu descobri o óbvio: eu não precisava ser genial. Eu só precisava acreditar no que eu faço e acreditar que isso basta para mim.

Me sinto louca, perdida e sozinha, mas dizem que para que uma grande mudança aconteça na gente, é preciso entrar em crise antes, para que se aprenda a levantar sozinho. Por isso eu prefiro ficar aqui, com essa vida nova, aguardando o momento de me transformar em umaF tempestade que mude tudo de lugar. Prefiro ficar aqui, onde está sempre amanhecendo.