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Meu nome é vida, olha pra mim

Texto por Simone Mello

Oi, meu nome é vida, tudo bem? Sabe quando a gente quase sufoca por guardar umas verdades que deveriam ser ditas, mas que ao invés disso engolimos para poupar transtornos? Eu estou sufocada, não aguento mais, vou ter que te dizer. Eu esperei por você em alguns momentos em que preferiu me ignorar e me deixar plantada esperando, e isso quase me fez perder a fé em você. Lembro uma vez, você tinha apenas treze anos, e não tinha programa melhor, eu tinha certeza que você ia me encontrar, naquela festinha de aniversário de sua melhor amiga do colégio. Eu estava lá, te esperando, mas você não apareceu. Não era só eu que estava te esperando – tinha o Fábio, o Bruno, as músicas e as luzes, tudo perfeito esperando por você, e fiquei sabendo que você ficou vendo TV em casa. Que mancada!

Teve a outra vez, com a galera da faculdade, naquele feriadão em que as pessoas mais legais resolveram passar quatro dias na praia. Você foi convidada! Porque não apareceu? Eu tentei te desculpar, achando que você estava sem dinheiro, ou que no fundo você tinha um convite ainda melhor, achei que você finalmente me surpreenderia, e que nós íamos acabar nos encontrando em outro lugar, talvez até outra praia! Mas não, fiquei sabendo que você não foi porque estava com vergonha de pôr um biquíni na frente da galera. Você realmente achou que estava gorda? Que tinha celulites e estrias demais para se desfazer de suas calças jeans? Pois eu tenho algo a lhe dizer. Ninguém naqueles quatro dias tirou a roupa, pelo menos não para pôr biquínis e sungas. Foram quatro dias de baralho, cerveja gelada, risadas incontroláveis, violão e muita chuva. Foram os melhores dias da vida de alguns ali, acredita? Ah, e tem mais uma coisa sobre aqueles quatro dias: Suas celulites e quilos a mais, simplesmente não seriam notados.

Uma vez estávamos no aeroporto: eu e seu grande amor, esperando por um beijo, um abraço apertado, e alguma palavra que desfizesse todos os mal-entendidos. Eu e ele esperamos até o último minuto. Mas aí veio a última chamada, ele embarcou, e eu fiquei com aquela cara de pateta. Você me deu mais um bolo. Teve uma vez que eu estava em Salvador. Você tinha uma entrevista de emprego lá, lembra? O salário era o dobro daquele que você ganhava aqui, e havia mil perspectivas profissionais e pessoais. E caramba, era Salvador! Não, não me venha com essa. Seus pais passariam muito bem, obrigada. Eles ficariam realizados com as notícias que chegariam de Salvador, e teriam sido as melhores. Por que você não foi ao menos ouvir o que eles tinham a dizer? Porque não foi respirar os ares de lá, olhar para o céu, ouvir o seu coração? Estava tudo pago, era só ir à bendita entrevista! Por que?

Pois bem, eu voltei para “nossa cidade”, meio humilhada, meio com o rabinho entre as pernas, mas fazer o que? Eu teria que achar alternativas ao meu plano A. Eu queria tanto que você tivesse ido, mas você às vezes parece que tem medo de mim. Você tem? Me conta qual é o seu problema, vai. Eu não posso fazer mais do que já faço, sabe? Eu faço bastante! Às vezes eu estou aí dentro da sua casa, principalmente quando você pega um livro, vivemos momentos legais juntos. Eu gosto quando a gente canta e dança enquanto escolhe a melhor roupa, eu gosto do jeito como você se diverte com o ar quente do secador na sua cara enquanto seca o cabelo. Mas eu tenho uma coisa bem importante pra te dizer: na maior parte das vezes, eu estou aqui fora.

Eu estou nos lugares mais inusitados, com as pessoas mais improváveis, muitas vezes. Mas como você vai saber, não é mesmo? Eu te conto! Você tem que respirar mais, e fundo, e ouvir a voz do seu coração! Ele vai te dizer onde estou. Pare de me dar bolos, pare de me decepcionar, ou eu vou acabar desistindo de você. Eu tenho amigos inseparáveis, e se você encontrá-los, vai me encontrar também. A coragem, a vontade, a curiosidade, todas elas indicam o caminho. Acredita nelas, vai, elas são legais. Mas eu também tenho gente que me odeia, que faz você se afastar de mim: o medo, a descrença, a preguiça, eles vão te fazer acreditar que não vale a pena, que eu não me importo se você vem ou fica. Ei, acredita em mim, eu me importo. Eu te quero, eu te convido, por favor, pare de me ignorar. Um dia, quando você menos esperar, eu não vou estar mais disponível, e vai ser triste se não tivermos passado bastante tempo juntos. Pare de se fazer de bobo, tá? Você sempre sabe onde me encontrar.  Pare de ser negligente, isso simplesmente não faz sentido. Olha pra mim.

A mudança do estado da matéria

Texto por Marcela Picanço

Talvez eu seja mesmo um caso à parte, como todo mundo sempre me diz, mas eu custo a acreditar. Me sinto completamento encaixada e igual as outras pessoas. Com os mesmos dilemas e situações reversas. Por isso acho tão fácil falar de mim e ser ouvida por muitos. A identificação é reciproca porque somos o mesmo. Mas, em alguns momentos em que eu me desligo, me sinto parte de outro lugar. Como se eu pudesse comandar um mundo feito com as minhas ideias. Me sinto como a lua em suas fases. Às vezes minguo, as vezes quero me aparecer por inteira. Mas esse processo de transformação me destrói por dentro. Como uma lagarta que vira borboleta ou a cigarra que canta desesperadamente antes de sair da sua casca para encontrar outra dimensão.

Vou tentando, aos poucos, me adaptar a mim mesma sem entender muito esse processo. Quando eu mudo, passo os dias refletindo e me testando, até eu dizer chega. Uma hora acaba e eu me acostumo com esse novo eu pronto pra dar mais um jeito na vida. Pronta pra pegar as malas de novo de sair por aí procurando um lugar que me mantenha sempre viva. Sempre tive muito medo de amar, porque amar era a certeza que eu tinha de que estaria estagnada. Mas amar é só mais a forma de voar, mantendo a cabeça em algo fixo.

E às vezes eu sinto que tem buraco dentro de mim. E em vez de sair procurando algo que faça essa dor parar de arder eu me procuro por todos os cantos, até concluir que eu faço parte de todos os lugares. Eu faço parte de mim e não há nada no mundo que consiga mergulhar nesse abismo que existe dentro de mim ou algo que acabe com essa fome pelo inconstante.

Se tentam me definir, eu viro bicho. Sempre fui o indecifrável. Sempre me confundo entre minhas verdades porque pra ser tão eu é preciso ser vários ao mesmo tempo. Me desafio o tempo todo, dentro da minha cabeça, fazendo um nó que se expande até meus cabelos que ficam completamente embaraçados. Fico embriagada diante de tanta euforia ao tentarem me entender. Eu sou o avesso do questionamento, mas também quero ser resposta. Se um dia me encontrar, eu volto pra mim e deixo de ser tão louca, tão solta, tão eu.

O emprego da sua vida ainda nem existe

Texto por Marcela Picanço

Os tempos mudaram, minha gente. E nós somos a última geração que viveu em um mundo sem internet e logo depois com internet. A gente viu essa ruptura, a gente viu as coisas surgindo, a gente viu a comunicação mudando. Quem tem cabeça pra lidar com essa confusão toda? Ninguém. Por isso a gente parece perdido. Aí vem a crise, a gente não arranja emprego, tem um monte de gente fazendo nada da vida e ganhando dinheiro por ser gatinho no instagram, tem um monte de gente querendo ser isso, porque quer viver a vida viajando e fazendo nada. Mas não dá pra fazer tudo. Ou você rala pra cacete pra poder fazer seu ano sabático e viajar pra onde quiser ou você é rico o suficiente e não precisa ligar pra nada disso. Não dá pra fazer os dois. Até essas blogueiras que vocês acham que viajam toda hora ralam pra caramba. Um dia desses fui num jantar de imprensa e conheci um bando de blogueiro desesperado porque tinha que arrumar a mala pra viajar no outro dia cedinho e tinha acabado de chegar de outra viagem no mesmo dia. Viajar é bom, mas toda hora cansa, principalmente porque viajar como blogueiro ainda é trabalho.

Eu já escrevi um texto sobre a geração Y e eu conto por que estamos tão frustrados. Pensa só, estamos no meio de uma revolução da era digital, a comunicação mudou todinha, novas profissões surgiram e o mundo está em crise e somos nós (geração entre 20 e 30 anos) que está iniciando a carreira, ralando pra caramba pra conseguir o que quer. Não tem como não entrar em parafuso.

Hoje, nossa maior crise é escolher um caminho, porque temos muitas possibilidades. É muita opção pra uma vida só. Eu queria ser atriz, escritora, blogueira, viajante, astronauta, degustadora de cerveja e ainda ficar domingo à noite assistindo tv em casa. E eu podia ser tudo isso, mas não de uma vez. Só que o problema é que cada escolha é uma renúncia, ou melhor, a cada escolha, a gente renuncia todas as outras possibilidades e isso é muito frustrante. Eu me vejo constantemente cercada de portas que eu poderia abrir, mas ao abrir uma, não tem como voltar atrás e eu nunca vou saber o que tinha atrás das outras portas que eu deixei de escolher. Mas eu tento me convencer do seguinte…Eu não acredito em destino, porque acho que a gente cria nosso destino a cada escolha que faz. Então, se a gente que cria a própria realidade, não existe nada atrás daquelas outras portas que eu não escolhi. O que existe ali atrás é a gente que inventa, a gente que traça. Daí fica muito mais fácil ir com fé e abrir a porta que a gente quer.

Mas voltando à crise (não a econômica, mas a pessoal). Internet, revolução digital, novas comunicações, possibilidades e uma coisa fantástica que a gente não ta vendo. Às vezes, a profissão da nossa vida ainda nem existe! Talvez seja a nossa chance de criar essa profissão. Por exemplo, analista de mídias sociais, blogueiro, analista de SEO, programador de app… nada disso existia 15 anos atrás. E quem sabe daqui a 10 anos o mercado esteja cheia de profissões novas. A internet possibilita lançar alguma coisa nova e alcançar muito mais gente em pouco tempo. Não preciso de um mega investidor pra fazer meu negócio pela internet. Pelo menos, no começo. E pensa só quanta coisa ainda vai mudar. A tecnologia cresce exponencialmente, ou seja, se a gente já viu essa transformação toda em apenas 15 anos, isso quer dizer que daqui a 15 anos vamos ter tido 30 vezes mais mudanças em um mesmo período de tempo.

Eu demorei muito pra entender isso. Sempre achei que eu era um ET que chegou aqui na terra e ficou perdido porque não queria fazer nada que existia. Até que, aos poucos, eu fui percebendo que eu podia juntar as coisas que eu gostava fazer. E pensar que na escola eu tava em parafuso porque não sabia se escolha jornalismo ou direito. Ah, como a gente é bobo! Então, a moral da história é que tudo bem se sentir perdido, porque ninguém entendeu ainda o que está acontecendo. Estamos no meio da mudança! E a mudança não é um evento, é um processo. E a parte boa é que agora nós temos a chance de mudar e criar algo novo. Saca só quanta coisa nova tá surgindo! Até a relação de consumo mudou. Hoje tá todo mundo em grupo de trocas em vez de sair comprando tudo novinho. Tá tudo se transformando e nós estamos no olho do furacão. Cabe a nós aproveitar o momento pra chorar e se lamentar ou perceber que não vamos entender nada agora e talvez não dê tempo pra entender em vida. Você acha que o pessoal do século 18 entendeu a revolução industrial? Nada! A gente só conseguiu decifrar essa mudança muito tempo depois. Precisamos tirar proveito disso tudo sem ficar nessa ansiedade louca. É hora de chacoalhar com as nossas certezas e investir no novo.

Hora de desbravar a crise econômica e existencial que nos assombra

Abro a página do meu jornal preferido e me deparo com pelo menos 5 matérias que fazem meu coração apertar. Dólar a R$ 4,20? Eu ri. Tem dedo do STF aí querendo dar algum aviso pros maconheiros de plantão. Tudo interfere a economia, então, vai saber… (Agora tá R$3,90 – esse dólar tá pior que eu em crise de ansiedade). A gente vai bem mal, bem mal e ta fingindo que não tá vendo. A gente adora fingir que não tá vendo nada. Eu adoro fingir que não to vendo nada. Mas tem uma hora que alguma coisa aqui dentro explode e eu tenho que escrever, tenho que passar da cabeça pro papel, do peito pra uma tela de computador. Uma fagulha de angústia que se espalhe por aí pra ver se encontra outra mente pra povoar.

Outras notícias. Uma manchete em caps lock indagando: vai faltar água? Lógico que vai. A gente não tem governadores competentes e nem pessoas dispostas a mudar alguma coisa. Arrastão na praia de Ipanema, em Botafogo, no Humaitá. Eu vi um assalto na minha rua e ele tava noticiado no jornal como se ninguém soubesse que isso ia acontecer. Como se essa não fosse consequência de uma cidade completamente abandonada depois da Zona Sul, consequência de um país em crise. O mundo tá em crise. E aí vira um estardalhaço. Tá todo mundo meio perdido, mas vocês enlouqueceram?

Gente achando um absurdo os meninos não serem presos se não forem pegos em flagrante. Gente achando genial fazer revista nos ônibus que vão pra Zona Sul. Como se os policiais já não soubessem quem são esses menores, como se não existisse uma máfia por trás disso tudo. Como você se sentiria se fosse preso ou revistado por estar de chinelo, por ser da cor que é, por ser quem você é? Tem muita gente inocente que sofre com isso, tem muita gente que não tem nada a ver e só quer tomar um banho de mar. Esses meninos não são maus porque querem, eles estão à deriva. Assim como o mundo todo. Não existe Deus, não existem Ets controlando a terra, não existe uma conspiração secreta que dita o nosso destino. Nós estamos sozinhos. E esses meninos estão apenas mostrando o cinismo territorial que existe nessa cidade e, pra isso, existe solução, sim. Cuidar da cidade.

Tudo vai continuar igual enquanto a gente não entender que um político é um administrador que precisar administrar a cidade como uma empresa. E tem que ser daquelas empresas que saem nas revistas como um dos melhores lugares para trabalhar. Enquanto o Estado tiver o papel de “pai”, enquanto deputados puderem ditar o que é uma família, enquanto eles insistirem nessa guerra às drogas, não tem como evoluir, não tem como diminuir a violência. Mas nem o prefeito, nem o governador e nem o seu vizinho estão a fim de fazer isso. Ninguém tá a fim de cuidar da cidade. Tem gente que não tá a fim nem de arrumar a própria vida, como que vai pensar na cidade, no direito dos outros?

Arte: Christian Schloe

Arte: Christian Schloe

Não quero levantar nenhuma bandeira aqui, mas to tentando compreender tudo isso e pensando o que é justo ou não, o que é loucura ou não. Como diz uma amiga minha advogada, é melhor que tenham 100 criminosos soltos do que um inocente preso. E podem concordar ou não, mas o nome disso é justiça. Talvez você não tenha senso de justiça. Talvez você gaste mais tempo vociferando e reclamando dos outros do que tendo ideias ou transformando alguma coisa que realmente faça diferença. Minha proposta é que o problema seja solucionado pela raiz. Talvez tenha que trocar de governo? Sim, com certeza. Mas não é pedindo impeachment num domingo de manhã que isso vai acontecer.

A nossa estrutura tá ferrada há muito tempo. E não adianta ficar enfeitando por fora com a base se desmoronando. Temos que nos informar mais, temos que ir pra rua de novo, temos que indagar e temos que nos indignar, mas não só quando tudo já virou um caos. Essas medidas imediatistas são supérfluas e não é maior policiamento que vai fazer essa revoltar simplesmente parar. É tipo querer acabar com a epidemia da dengue matando mosquito na mão! É preciso fazer toda uma campanha para que ninguém deixe água parada, tomar as medidas certas para que o mosquito não se prolifere. E é nosso dever também. A gente vive aqui, não tem como comprar uma passagem pra Marte. E hoje, a gente tem aquilo que nos diferencia de todas as outras gerações. A gente tem a Internet.

Nós somos os únicos que podemos nos tirar dessa crise econômica e existencial que nos assombra. Vamos criar um novo jeito de fazer história. Já ouviu falar em Wikinomia? Deixo pra explicar melhor em outro texto, mas eu acho que esse é o futuro. O capitalismo, na minha opinião, é um dos melhores sistemas econômicos porque ele dá oportunidade para as pessoas escolherem. (Pelo amor de deus, não to dizendo que todo mundo tem as mesmas oportunidades de se darem bem na vida). Mas a questão é que esse modelo econômico já tá defasado. Ele precisa ser remodelado, porque desse jeito não cabe mais. A indústria que estimula o consumo não cabe mais.Tudo vai estar defasado daqui a 5 anos porque nossa tecnologia cresce em exponencial e essas nossas concepções de mundo ficarão pra trás. A gente tá vivendo esse momento louco, transformador, desesperador, mas é preciso encarar com inteligência. Lembra daquela história antiga de que as pessoas achavam que a terra era quadrada e no final do mar tinha um monte de monstros? Estamos na mesmo situação e precisamos ser corajosos para desbravar esse novo mundo que vem aí.

Hoje tem ArtRua! A maior feira de arte urbana do Rio de Janeiro

O Rio já é a cidade maravilha. Agora, imagina se ela fosse tomada por artes urbanas? Esse é o propósito da feira de arte urbana oficial da Semana de Arte do Rio de Janeiro, o ArtRua. Quem foi nas edições passadas viu o Centro Cultural Ação da Cidadania, na região portuária do Rio, tomado por  trabalhos artísticos de diversos artistas do Brasil e de fora e, dessa vez, não vai ser diferente. Os painéis da exposição interna vão ser assinados por artistas de São Paulo, a cidade onde os muros se comunicam com você. E, pra nossa sorte, serão feitas algumas pinturas de empenas e murais que  ficarão como legado artístico para o Rio, criando um circuito de turismo de arte urbana na região Portuária.

A ideia foi lançada em 2011 pelo Instituto Rua em parceria com a Visionartz. O evento agora faz parte do recém-lançado Distrito Criativo do Porto e rola junto com a mega feira ArtRio. Além de exposição artística , o espaço vai ter música  e gastronomia. Eu garanto que as barraquinhas que comida quebram um galho, porque quando você vê, já tá lá vendo as obras por pelo menos umas quatro horas e nem percebeu que ficou com fome.

Pra combinar com o estilo do festival, alguns estabelecimentos descoladinhos do Rio foram selecionados pra compor o evento, como: Brasa BBQ, Botero em Pé, Ribs, Refeitório, La Choriceria, Che Boludo e Bar do Toninho.
O curador da exposição Cristiano Kana, um dos sócios da galeria A7MA (SP) e Fundador da FULLSHOUSE SCREENMARK, uma das primeiras gráficas de serigrafia de arte urbana do Brasil, ou seja, o cara saca tudo!

Desde o ano passado, o festival se transformou em feira de arte e agora os artistas podem vender suas obras. Na área comercial e expositiva vão rolar várias galerias, entre elas, Nuvem, de Pernambuco (a principal do nordeste); Quarto Amado, de Belo Horizonte; Ponder70, Verve e a A7MA, de São Paulo, além das cariocas Huma Art Projects, Casa7, Galeria do Porto, Formigueiro, Galeria 1500 Babilônia, Galeria Nove Cinco, entre outras. A área também terá estandes com instalações e exposições individuais de alguns artistas, como Felipe Guga, William Baglione, Mateu Velasco, Rodrigo Villas Boas e Bruno Life. A exposição principal do segundo andar será da FULLHOUSE, de Cristiano Kana, onde estarão expostas mais de 30 serigrafias de nomes como Walter Nomura Tinho, Speto, Herbert Baglione, Nunca, Vitché, Titi Freak, Flávio Samelo, Zezão, entre outros.

A parte boa é que o evento é gratuito, pra não deixar ninguém de fora! Arte urbana é uma mistura e, por isso, deve ser acessível a todos. Mas corre, porque o evento começa hoje, às 18h e já termina no domingo, dia 13! Aproveite esse fim de semana pra se esbaldar de arte e veja o que as paredes têm pra te contar.

OMG: O Mais Gostoso

Texto por Marcela Picanço

Todo mundo reclama que o Rio não é igual a São Paulo no quesito gastronomia. Tudo bem, admito que São Paulo tem muito mais restaurante e mais diversidade. Dá pra encontrar qualquer coisa que você queira comer. Mas aqui no Rio, acho que falta a gente procurar os lugares.

Passando pelo Leblon, um dos bairros mais caros aqui do Rio, eu já passo desconfiada pelos restaurantes, achando que tudo vai ser muito caro pro meu bolso. Mas em um desses passeios, descobri o OMG. Uma hamburgeria super aconchegante, com decoração moderna e cerveja da casa. Passei reto. Achei que não teria nenhum prato por menos de 70 reais.

Quando recebi o convite para conhecer a OMG, pensei “Opa, é aquele lugar legal que eu passei e não entrei”. Fui toda animada conhecer a tal hamburgueria chic, ou gourmet, como o pessoal costuma falar hoje. Cheguei lá e já fui super atendida por um dos garçons. Todos padronizados, mas com o papo natural. Sabe aquele garçom que já te deixa à vontade só pela conversa inicial? Então, cheguei e já me senti em casa.

O lugar, como eu já sabia, era lindo. Cadeiras confortáveis, fumodromo arrumadinho e a decoração linda. Dá vontade de ficar lá por um bom tempo, apreciando a comida e o movimento da rua, já que o restaurante fica bem no final da Dias Ferreira, na Ataulfo de Paiva. Recebi o cardápio e já me surpreendi com o preço, que eu tinha julgado ser muito caro. O preço dos hambúrguers varia entre 29,00 e 35,00 reais. E eu achando que ia ser pelo menos R$70. O preço é super acessível, cerveja da casa excelente e um drink de sangria que há muito tempo eu não tomava um tão bem feito (Depois fui até parabenizar o bar men!). Na parte da comida, fiquei com o Soho Burguer, com uma pegada mais picante, mas é beeem gostoso. Eu não sou muito fã de pimenta e mesmo assim esse prato me ganhou. De sobremesa, que eu nunca deixo de pedir, fui logo no sorvete de biscoito. M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O! Eu sou suspeita, porque doce é meu vício, mas pode pedir que é bom demais.

Depois, o  gerente Rafael veio conversar comigo. Vi ele fazendo isso com outras mesas também, sempre se certificando de que todos estavam sendo bem atendidos. Antes de escolher meu pedido, ele me contou um pouco da história do OMG.

A primeira pergunta que eu fiz, foi se o OMG era de “Oh, My God”, mas, na verdade, quer dizer O Mais Gostoso. Achei engraçado, até porque o dono do OMG é um gringo que quer aumentar a rede e criar uma marca com OMG. Não apenas restaurante, mas festas, roupas e etc… Tá mais do que certo!

Pra começar a difundir a marca e para animar o local, todo sábado e domingo tem jazz à tarde, para o pessoal curtir fazendo aquele lanche do começo da noite ou para aqueles que saem com fome da praia. Fica uma galera lá em pé, ouvindo o som, bebendo uma cervejinha. Todo mundo se sente bem, porque esse é o clima do lugar. O Rafael mesmo me falou que a ideia é que não seja apenas um restaurante, mas um louge, um ponto de encontro para apreciar boa comida e bom som. Tem coisa melhor?

Confesso que virei freguesa. Toda vez que alguém me pedir uma opção de restaurante bom, aconchegante e com preço legal, vou falar O Mais Gostoso.

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Texto publicado originalmente na NOO.

 

Por onde você anda

Texto por Natália Beraldi

A verdade é que eu não te conheço ainda. Ainda não sonhei com você, não consigo imaginar como é seu rosto, o seu cheiro, o seu jeito de sorrir. Mas sou capaz de fechar os olhos e imaginar como é o brilho dos seus olhos quando se surpreende, o timbre da sua voz, como vai ser o seu tom da sua pele quando acordar, o seu jeito preguiçoso de domingo de manhã.

Eu ainda não posso planejar nossas viagens, planos futuros e furados, não posso colocar as fotos na parede. Mas já passo pelas casas e imagino qual será o seu muro, o som do portão se abrindo, cachorros latindo, talvez. Eu observo tudo com atenção e ternura, porque depois eu quero lembrar desses detalhes, como guardo a vontade de me esconder quando o amor chegar, de sair correndo pra te procurar nesse mundo de bilhões de almas, de cores, de rostos. E o fato é que estou pronta! É você que coloco em minhas orações, é do seu coração que o meu sente falta; e só peço que não demore, por favor.

Tenho fome, frio, falta essência, falta chão. Eu sei que é de você que o meu mundo precisa, porque houve uma reforma, uma grande reforma interna pra te esperar. Dizem que eu mudei, mas eu estava me preparando, juro. E antes de mais nada preciso te contar algumas coisas. Deixei de ir à academia, confesso. Coloco a culpa em um acidente de carro, calma. Não se preocupa. Você se preocupa? Minha ansiedade aumentou, mas já me controlei. Você só vai lidar com ela nas vésperas das nossas viagens, quando me prometer algo, ou quando demorar mais de 10 minutos para chegar.

Não gosto de ficar sozinha em casa, por medo sim. Mas adoro me ver sozinha em qualquer lugar que eu não conheça, como sei que vou adorar a sensação de te contar algo novo que aprendi. Às vezes dirijo sem rumo, mas saiba que vou aprender o caminho da sua casa facilmente se quiser. Sei que minha família vai te adorar, o meu pai principalmente, mais ainda quando contar que você também gosta de Caetano.

Se vinho seco for o seu preferido, tudo bem, vou aprender a gostar. Se um dia você me encontrar por aí observando algo com lagrimas nos olhos, não precisa se preocupar, eu choro de deslumbre, é normal, se cura com um sorriso largo de gratidão. Não ligue se eu entregar a minha câmera na mão de uma criança desconhecida em um parque num dia comum, é minha vontade de querer descobrir o que elas veem. Eu não sei brigar, e no dia seguinte eu esqueço tudo, só não vou me esquecer de voltar pra você, ok?

É que já aprendi que amor vem sem dor, vem de flor, vem de quem tem que vir, e eu já sei que vai vir junto com você, aos poucos, pode ser. Ou brutalmente, como quando parece que vai explodir. Mas eu estou pronta. A porta da frente está aberta, se eu não perceber pode abrir a janela. Não avisa não, só vem! No verão ou no inverno intenso pra curar a falta que você anda fazendo. Eu sei que pode ser… Porque eu sei que já trocamos as nossas cascas, que as tempestades já passaram, o sol já veio, e deixou o cheiro de chuva que avisa algo, avisa que eu sei que você está chegando, e eu estou pronta. Me cutuca se for preciso.

O país da mulher pelada

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O Brasil é conhecido como um dos países mais liberais do mundo, onde as mulheres andam sempre muito à vontade com suas pernas e peitos de fora. Seria excelente se fossemos um povo tão bem resolvido assim. Mas não. A verdade é que passamos essa imagem, mas nenhuma mulher sai à rua mostrando o corpo sem ser julgada.

Sinceramente, eu gostaria de entender qual é o problema em mostrar o corpo humano. Não era mais para existir essa ideia de que gente pelada é coisa feia. Principalmente no Brasil, em que no carnaval temos uma mulher linda sambando na TV e usando só tinta para se cobrir. Não acho que isso seja uma forma de vulgarizar a mulher, mas sim de mostrar como tratamos a nudez de forma natural. O justo é tratar gente pelada como uma coisa normal e não como algo ofensivo. Seria muito bonito se fosse verdade e se pudéssemos sair cobertas apenas de tinta em épocas fora do carnaval, mas se usamos uma saia um pouco mais curta, todos os olhares preconceituosos caem sobre nós. Essa é a questão de usarem mulheres peladas na mídia. É lindo na TV, mas na rua é vulgar. Não queremos que a Globeleza pare de dançar pelada, nós só queremos dançar peladas como ela sem sermos taxadas de vadias.

As mulheres têm a liberdade de se vestir como quiserem, mas não existe nada mais recriminatório quanto uma palavra ofensiva. A nudez nem sempre precisa representar algo sexual. Muitas vezes ela é uma forma de se expressar, como a arte. Outras vezes ela não quer dizer nada. As coisas nem sempre precisam ter uma explicação. Não acredito que no “país liberal”, em 2012, ainda temos esse tipo de discussão sobre a nudez ou mulheres que se vestem com “certos tipos de roupas”.

Em outros países já vi várias vezes pessoas andando de biquíni, fazendo top less, peladas e aproveitando o sol sem serem julgadas. Porque as pessoas deveriam andar como elas querem e o corpo é uma parte de nós. Fazer o que? O que é bonito é pra ser visto. Mas infelizmente aqui, no país tropical, onde temos as pessoas das cores mais variadas e bonitas do mundo, vivemos uma cultura em que as pessoas dizem que no inverno “ficamos mais elegantes”. Pra mim, a nossa elegância está na nossa pele. E não existe nada mais bonito do que assumir o corpo que tem e exibi-lo por aí sem ter vergonha dos olhares antiquados, carregados de preconceito.

Sinceramente, espero que a gente cresça mentalmente e não continue discutindo sobre assuntos que deveriam ter sido resolvidos no século passado, ou no mínimo na época da revolução sexual. Espero ainda viver em um país que seja menos machista e repreendedor.